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PCC: anotações revelam plano de resgatar Marcola em Brasília

Por Redação Juruá em Tempo.9 de janeiro de 20204 Minutos de Leitura
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POR METRÓPOLES – Após a transferência do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola (foto em destaque), para o sistema penitenciário federal, em fevereiro de 2019, autoridades policiais de São Paulo e Brasília constataram a continuidade do plano voltado a regatá-lo.

Em março, com a chegada de Marcola a Brasília, os faccionados se mobilizaram em uma tentativa de viabilizar a empreitada no Distrito Federal.

Anotações captadas por autoridades da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP) indicam que os criminosos estão apenas aguardando o aval do traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho.

Ele é um dos principais nomes do PCC que está solto e atua nas ruas. Há indícios de que Camacho desembolsou cifras milionárias para que o acordo com Fuminho seja cumprido.

Segundo os informes captados, após a saída de Marcola da Penitenciária de Presidente Venceslau, as funções estratégicas do grupo dentro do sistema carcerário foram divididas entre três internos: Márcio Domingos Ramos, Valcedi Francisco da Costa e Wilber de Jesus Marces.

As investigações apontam que o trio está alinhado com Fuminho para orquestrar o resgate. Algumas funções já teriam sido definidas, como o responsável pela seleção de integrantes com alto nível de conhecimento militar e de armamentos.

O PCC chegou a sobrevoar a Penitenciária Federal de Brasília com o uso de drones. O artifício é comumente usado pela facção para mapear e traçar estratégias de ataque.

Confira o compilado de anotações do PCC com as devidas adequações textuais:

“Primeiramente, um forte abraço a todos. A situação está da seguinte forma: quem está fechando no pavilhão um da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau são os nossos irmãos Gaspar e Ralf e no pavilhão dois, o Ariel. A sintonia está na rua, mas temos ordens deixadas pelo Marcola que temos que agir na inteligência.

O Carlão da Zona Norte já está se alinhando com os integrantes que tem conhecimento de armamentos e mandou um recado para todos de outros Estados. Tem que disponibilizar dois irmãos de responsa de cada Estado para formar um time da hora. Estamos no aguardo do Fuminho para dar retorno se vai tirar o Marcola da Penitenciária Federal de Brasília.

Sabemos que o drone já voou lá e até o momento não tinha militares do Exército. Mas sabemos que tirar o Marcola de Brasília tem que ter um planejamento diferenciado de todos e só com o apoio do Fuminho que podemos concluir o resgate.

Esse time do Carlão é para agir com cautela, no momento certo vamos para cima dos agente públicos que mandaram a cúpula do PCC para aquele lugar desumano. Sabemos que o planejamento utilizado não era o correto, mas só tinha esse para se comunicar na urgência.”

Estado preparado

Ao mesmo tempo em que a facção se articula, o Estado se une para combater o crime organizado. Conforme o Metrópoles noticiou com exclusividade, um acordo entre o Ministério da Justiça e o Exército foi firmado para fortalecer a atuação contra as quadrilhas. Blindados do Exército chegaram a cercar o complexo federal em São Sebastião.

Agentes que atuam nas penitenciárias nacionais passam por diversos treinamentos com o uso de armamentos pesados. Equipes de inteligência do sistema federal também unem forças com variadas agências de inteligência do país.

Na capital da República, a força-tarefa é reforçada com a intensa atuação da unidade especializada no combate às façcões da Polícia Civil do DF (PCDF), a Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac).

Os presídios são novos e contam com robusto aparato policial, além de estrutura reforçada. Há circuito de câmeras com transmissões em tempo real, sensores de movimento e alarmes. Os sistemas têm equipamentos capazes de identificar drogas e explosivos nas roupas dos visitantes, detectores de metais e sensores de presença, entre outras tecnologias.

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