Jovens ajudam autônomos sem acesso à internet a fazer cadastro para receber auxílio emergencial

Desde que a Caixa Econômica Federal disponibilizou, nesta terça-feira (7), o site e o aplicativo para que informais, autônomos, desempregados e MEIs possam solicitar o auxílio emergencial de R$ 600, muitas dúvidas foram surgindo.

O benefício foi aprovado pelo governo como forma de ajudar essas pessoas durante a pandemia de Covid-19. No Acre, os serviços não essenciais estão suspensos por conta do decreto de calamidade.

Os trabalhadores já podem solicitar o auxílio no site e no aplicativo. Mas, o fato de alguns desses trabalhadores não terem acesso à internet poderia ser um problema se não houvesse pessoas com a intenção de ajudar. O G1 encontrou dois jovens que estão fazendo esse trabalho gratuitamente.

A coordenação estadual do programa Bolsa Família e Cadastro Único diz que no Acre há mais de 85 mil famílias recebendo o Bolsa Família e 138.240 famílias registradas no Cadastro Único (CadÚnico). O Sebrae diz que 144 mil trabalhadores informais e 12 mil MEIs devem receber o benefício no Acre.

Lidiane Alves, coordenadora do setor, diz que todas essas pessoas podem se cadastrar para receber o auxílio emergencial por conta da pandemia, mas destaca que a Caixa Econômica vai cruzar esses dados para confirmá-los.

“Todos podem se inscrever, mas nem todos estão aptos a receber”, destacou.

Autônomos que trabalham na Feira Solidária estão com atividades paradas  — Foto: Manoel Gondim/Arquivo pessoal

Autônomos que trabalham na Feira Solidária estão com atividades paradas — Foto: Manoel Gondim/Arquivo pessoal

Ajuda

A autônoma Manoela Gondim aproveitou o momento para ajudar os colegas de profissão. Ela faz parte da Coordenação do Fórum Acreano de Economia Solidária, uma feira que reúne autônomos para vender seus produtos artesanais e culinários na capital Rio Branco.

Por meio de aplicativos de mensagens, redes sociais e telefone, ela contabiliza ter ajudado uma média de 200 pessoas que fazem parte deste grupo. Sem receber nada, ela orienta e tira dúvidas sobre como é feito o cadastro.

“São muitos autônomos que trabalham nas feiras livres na Praça do Novo Mercado Velho. Desde o primeiro decreto, fomos impedidos de trabalhar, estamos todos em casa. A feira é só aos finais de semanas e somos cerca de 300 famílias que vivem exclusivamente dali. Se paramos de trabalhar, paramos de produzir. Com isso, todos ficam sem renda”, contou.

Desde então, ela vem acompanhando as informações sobre a liberação do auxílio e se dispôs a ajudar as pessoas da mesma categoria.

Através de grupos e por telefone, Manoela acredita ter ajudado uma média de 200 pessoas com orientações  — Foto: Manoela Gondim/Arquivo pessoal Através de grupos e por telefone, Manoela acredita ter ajudado uma média de 200 pessoas com orientações  — Foto: Manoela Gondim/Arquivo pessoal

Através de grupos e por telefone, Manoela acredita ter ajudado uma média de 200 pessoas com orientações — Foto: Manoela Gondim/Arquivo pessoal

“Nem todos têm acesso a internet e muito menos à era digital. Por ter várias pessoas de idade, tentei ao máximo levar informação e ajudá-los para não ficarem de fora do benefício”, conta.

Desempregado, Auricelio Cavalcante também resolveu doar seu tempo para ajudar os moradores de Tarauacá, no interior do Acre, que também não sabiam por onde começar para terem acesso ao benefício. Ele diz ajudou uma média de 50 pessoas no decorrer do dia.

“Primeiramente, um primo que é autônomo me procurou pedindo pra eu ajudar ele a fazer o cadastro pq tenho um computador na minha casa e é melhor de inscrever, aí ajudei. Então, ele falou pra um amigo dele que também pediu ajuda”, conta.

E de boca em boca, Tácio Silva ficou sabendo do trabalho que o jovem estava fazendo na sua casa. Conseguiu o número dele e não pensou duas vezes em pedir ajuda.

O autônomo conta que sem a ajuda de Auricelio não teria conseguido fazer o cadastro, porque não tem habilidade com os dispositivos.

“Esse auxílio veio em boa hora, porque sou pai de família, tenho três filhos e preciso desse dinheiro. Mas, eu não sabia como fazer, aí consegui o número com um rapaz, procurei e pedi ajuda. Ele está ajudando muita gente, acolhe aqui na casa dele e vai fazendo. Isso é muito importante”, conta agradecido.

Além de ser ajudada, Eliete Cunha, que trabalha há 12 anos com artesanato, quis ajudar. Sem trabalhar desde o dia 17, ela diz que a renda da família é apenas da Feira Solidária.

“Esse auxílio que estão dando vai ajudar bastante, não só a mim, mas a todo mundo que está precisando. Assim que recebi a ajuda da Manoela, formamos uma rede de informação e fui ensinando para todo mundo, mandando o link, mostrando como fazia e agora está todo mundo já cadastrado”, disse.

Por Tácita Muniz, G1 AC