Início / Versão completa
Mais Notícias

No Acre, costureira cria “armadura” para proteger filha que trabalha no combate ao coronavírus e ideia vitaliza

Por Redação Juruá em Tempo. 29/04/2020 08:25
Publicidade

Amor, cuidado, atenção, carinho e muito TNT. Tudo isso foi usado pela mãe da técnica de laboratório Marinês de França Carneiro, de 43 anos, para criar uma “armadura” contra a Covid-19. Marinês trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, e atende diariamente pessoas com sintomas da doença.

Publicidade

Para tentar minimizar a exposição da filha ao coronavírus, mesmo ela usando os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) dados pela Saúde, a aposentada Maria de França, de 66 anos, criou uma roupa que cobre todo corpo e rosto de Marinês. Os looks viralizaram na internet pela forma, estampas, cores e criatividade da aposentada.
“Aquela roupa saiu devido ao medo e pavor que ela tem desse vírus chegar até mim. Então, fez essa roupa para eu vestir porque, segundo ela, o medo que eu passe a mão no rosto é constante. Desse jeito não vou passar a mão no rosto”, conta a profissional.

Marinês falou que a costureira criou seis modelos para o uso. Dois deles têm capuz, que cobre todo o rosto deixando só os olhos de fora.
“Disse que ia fazer com o capuz e eu disse: ‘faça, mãe’. Sempre fui uma pessoa que gostei de coisas que outras pessoas não gostam, têm vergonha, mas eu não me importo, estando protegida é o que vale”, diz.

Proteção de mãe

Publicidade

Em entrevista à Rede Amazônica Acre, a costureira Maria de França explicou como teve a ideia criar o jaleco e reforçar a segurança da filha. Quando mostrou as produções, a aposentada disse que a Marinês ficou sem acreditar.

“Como a gente vive muito nervosa por conta do vírus e ela ali está na linha de frente, colhe sangue, então me preocupei. Disse que ia fazer uma roupa para ela e disse: ‘então tá’. Trouxe o pano, falei que queria um meio grosso e trouxe esse TNT do grosso. Fiz e, quando ela chegou, riu muito e questionou se ia aguentar. Falei que sim, que, abaixo de Deus, aquilo vai proteger”, recordou.

Costureira de mão cheia e mãe atenciosa, a aposentada contou que produz máscaras. Ela e o marido são do grupo de risco, precisam ficar em casa, mas, já que a filha tem que sair para trabalhar que seja bem protegida.
“Sabemos que não protege 100%, mas protege um pouco. Me preocupo muito porque sou eu e o pai dela e ela que cuida da gente. Nos leva para consultar e para tudo. Vai que chega a adoecer, o que vai ser de nós? Perguntou onde tinha arranjado a ideia e disse que Deus deu a ideia para vestir e proteger”, destacou.

Cuidado e diversão

O look de Marinês não passou despercebido na unidade de saúde. Funcionários e pacientes se divertiram com a ‘armadura’ usada pela técnica. A farmacêutica Gabriela Curty afirmou que a colega de trabalho tem levado numa boa toda repercussão dos figurinos, inclusive na internet.

“Temos nossos EPIs que a Sesacre fornece, porém, como a mãe dela é costureira e resolveu personalizar, quando chegou aqui foi muito legal para todo mundo. É uma forma de se proteger e ficar bem diferente. Trazer um pouco de diversão para esse meio que está tão difícil”, revelou.

É com muito carisma e alegria que a Marinês vê toda atenção dada para a situação. Ela falou que sempre gostou muito de cores, estampas e roupas coloridas, então, usar os uniformes criados pela mãe não é nenhum problema.

“No primeiro dia foi muito divertido, tirou a tensão que está muito grande. Usamos a brincadeira para ficar mais leve, porque não está fácil. Adotei dois por dia. Tiro ele, coloco dentro de um saco, chego em casa e deixo de molho na água com desinfetante e sabão. Lavo e coloco no sol. No outro dia, uso outro. Assim, como o material é bom, dá para usar um mês, mas, a partir daí, tem que ser outro”, ressaltou.

O figurino de maior sucesso, segundo a técnica, foi um vermelho com estampas em preto e branco. O look conta ainda com um capuz todo vermelho. Ela diz que usa o capuz quando sabe que vai ter um fluxo maior de pacientes.

“O azul e vermelho têm capuz e deu uma repercussão muito grande. Sempre gostei de bolinhas, cores alegres, rosa. É bem bacana com os colegas, nunca mais tinha rido tanto como ri hoje. A gente sente falta, vivemos com uma dinamite a todo tempo prestes a explodir em nosso colo e é terrível viver assim”, complementou.

Marinês explicou que o desejo da mãe é de que ela se afastasse do trabalho porque sofre de obesidade e pertence ao grupo de risco da doença, mas ela preferiu permanecer no trabalho para ajudar nesse momento de dificuldades e insegurança.

“Disse que se tiver que pegar vai ser aqui [no hospital], em casa, no mercado ou qualquer lugar que eu for. Eu amo o que faço, amo ajudar, quem me conhece sabe, e não ia ficar em paz em casa enquanto as pessoas necessitam. Na Cidade do Povo somos muito necessitados de profissionais. Necessita de alguém para ajudar, que seja quem ama a saúde porque se não amar atrapalha”, finalizou.

Aline Nascimento, do G1 Acre.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.