Professor acreano fala das consequências se não houver o adiamento do Enem 2020

A data para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio 2020 (Enem) continua prevista para o mês de novembro deste ano. Mesmo com a suspensão das aulas presenciais em todo o país, o Ministério da Educação ainda não considera a possibilidade de adiar o exame.

A Defensoria Pública da União entrou com recurso para que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reveja a decisão do desembargador Antônio Cândido que impediu o adiamento do Enem. Em abril, a DPU obteve uma liminar favorável para a revisão do calendário do Enem, mas a medida foi derrubada após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Diante das polêmicas que envolvem o calendário do Enem 2020, a possibilidade do adiamento divide opiniões; mas, o professor e coordenador educacional Tiago Rodrigues Benedetti afirma que o não adiamento do exame prejudicará tanto os alunos da rede pública quanto da rede particular de ensino.

“O exame não é só um processo seletivo, ele marca o final do ensino médio. Então, para o aluno que está no terceiro ano do ensino médio é importante que ele tenha essa conclusão do currículo escolar. Não faz sentido ter Enem na data prevista, porque sabemos que o currículo não será finalizado até novembro”.

Além disso, o educador explica que a manutenção da data do exame aumentará a desigualdade social entre os candidatos; pois, é evidente a dificuldade de acesso dos alunos da rede pública aos recursos digitais. Essa dificuldade prejudica o processo de aprendizado desses estudantes.

“É importante que o Enem seja adiado. E esse adiamento tem que acompanhar o tamanho da paralisação das aulas para termos um mínimo de justiça. Sabemos, ainda, que há uma questão social, o aluno da escola particular é treinado para fazer o Enem”.

E destaca: “Considerando esse atraso por causa da suspensão das aulas presenciais, as escolas particulares conseguiram ter mais condições de oferecer aulas remotas. Já a escola pública demorou para fazer alguma coisa. O aluno ainda não tem as mínimas condições de receber esses recursos. Adiar o Enem também seria uma atitude de solidariedade, para reduzir essa distância que já existe normalmente. Não adiando o Enem, essa desigualdade social vai ficar ainda mais escrachada”.