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COTIDIANO

Aposentado que morreu de Covid-19 no Acre era apaixonado por futebol e pescaria

Por Redação Juruá em Tempo. 18/05/2020 17:16 Atualizado em 18/05/2020 17:49
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Que desfalque na pelada com ida de Audicélio dos Santos, de 66 anos. Líder comunitário, apaixonado por futebol e pescaria, foi uma das mais de 60 vítimas fatais da Covid-19 no Acre. Servidor público aposentado, nunca deixou o amor pelo futebol de lado e era presença marcada no time da Associação 8 de Março.

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Ele morreu neste domingo (17) após ter sido diagnosticado com Covid-19. De acordo com a família, os rins pararam. Ele estava na terceira sessão de hemodiálise. A morte dele foi contabilizada no boletim desta segunda-feira (18) pela Secretaria de Saúde do estado (Sesacre).

Mais do que um jogador, a galera do futebol agora se pergunta quem vai fazer a panelada tradicional do pós jogo. Além do esporte, o aposentado amava cozinhar para os amigos. No churrasco depois do futebol, tinha que ter a panelada feita por ele. Por isso ficou conhecido entre os amigos por esse apelido; de panelada.

Na década de 70 chegou a jogar profissionalmente no Time do Floresta. A mulher dele, Josenita Santos, conta que ele ainda chegou a ser cotado a ir jogar no Rio de Janeiro, mas foi na mesma época que engravidou uma namorada e decidiu ficar em Rio Branco para acompanhar o nascimento e crescimento do filho.

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Foi então que ele se dedicou ao serviço público, mas sempre sem deixar o amor pelo futebol de lado.

“Todo domingo me deixava aqui para ir ao estádio e por onde passava, parecia político, conhecia todo mundo. Chamavam ele de panelada, porque ele adorava cozinhar, era cozinheiro nato. Quando iam pra pelada, depois tinha churrasco e ele sempre gostava de fazer panelada. Então os meninos encomendavam e depois do jogo ficavam até meia-noite conversando, bebendo e comendo”, conta a mulher.

Pescaria e futebol. Mesmo hipertenso, Audicélio cuidava do corpo e da mente. Nunca deixou de praticar esportes e também corria frequentemente.

A família acredita que ele tenha contraído a doença na pequena sorveteria que tinha no Mercado Elias Mansour, no Centro de Rio Branco. O local foi fechado para higienização e, após isso, reaberto e ele continuou indo ao local.

Luta pela vida

No dia 11 de maio, já com o exame positivo para a doença, o aposentado já estava fraco. Josenita conta que para se vestir e ir até o carro, ele quase não conseguia achar fôlego. Chegando na UPA do 2º Distrito, enquanto era atendido, ele teve a primeira parada respiratória.

No mesmo dia, ele foi para o pronto-socorro e teve a segunda parada. Dali começava uma batalha pela vida. No decorrer de semana, os órgãos foram sendo afetados. O rins parou e o organismo, mesmo acostumado com uma vida de atleta, não suportou mais a hemodiálise.

“Todos os dias, às 18h, eles mandam o boletim. Nesse dia seria a terceira sessão. Meu telefone tocou por volta das 20h, era o médico pedindo que a gente fosse lá. No fundo, já sabíamos do que se tratava”, conta a mulher ainda emocionada.

Perda

Ainda é difícil falar do marido sem que as lágrimas a interrompam. Josenita enterrou o companheiro de 20 anos nesta segunda-feira (18). Ao falar com o G1, ainda tentava entender como seria a rotina sem ele, como poderia arrumar a casa e viver ali sem o parceiro.

Depois de alguns minutos em silêncio e um choro dolorido, ela diz que se prende nas boas lembranças do marido, que tinha inúmero amigos e um coração gigante.

“Ele sempre estava brincando, contando piada. Onde ele chegava, se via alguém pra baixo, começava a contar piada e quando a gente menos esperava, já tava todo mundo conversando, brincando junto. Sempre preocupado com a família e amigos. Tinha um coração muito bom”, diz emocionada.

Josenita diz que ela e os filhos fizeram o teste para saber se estão a doença e aguardam o resultado.

Homenagem

Nesta segunda, a União Municipal das Associações de Rio Branco e Confederação Nacional das Associações de Moradores fizeram um nota lamentando a morte do líder comunitário. Na nota diz que ele era presidente do loteamento Girassol e ressaltou que ele era apaixonado pelo esporte e que a perda afeta a todos da comunidade.

“Seus entes queridos, o movimento comunitário de Rio Branco e amigos em geral, perdem um líder, um amigo e cidadão da melhor qualidade. Que seu exemplo, que seus ensinos, alegria de viver e sonhar nos motive a seguir neste mundo difícil e cruel. Descanse em paz líder.”, finaliza a nota.

Por Tácita Muniz, G1 AC.

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