Casal de profissionais da saúde sofre com a distância dos filhos: “É de cortar o coração”
Lindomar Ferreira da Silva é fiscal de vigilância em saúde e sua esposa é enfermeira. Os dois estão na linha de frente do combate à Covid-19, em Cruzeiro do Sul. Há um mês precisaram tomar a decisão mais difícil da vida: ficar longe dos filhos.
Os filhos, uma jovem de 19 anos e um bebê de 2 anos de idade estão na casa da avó. O único contato que eles têm com seus filhos é pela grade da casa.
“Os filhos da gente são tudo, principalmente nessa fase de criança. Embora eles não sejam do grupo de risco, nós resolvemos afastá-los da gente por medo e preocupação de trazer esse vírus pra dentro de casa. Eu me sentiria muito culpado. Uma vez infectado, a gente não sabe como cada paciente vai reagir” (sic), disse o pai.
O fiscal emocionou os amigos nas redes sociais ao postar a foto do seu filho do lado de dentro da casa. Com um olhar triste, a criança olhava para os pais. “É de cortar o coração de ver aquela criança que não tem noção do que está acontecendo, mas fazemos esse esforço. Ele quer a aproximação dos pais e tentamos fazer isso, mas de longe”.
Mesmo com todo o esforço, um episódio ficou marcado na vida do casal. Após sair do supermercado, eles foram até a casa onde estão as crianças para deixar as compras. O pequeno de dois anos não aguentou quando viu os pais e correu para abraçá-los.
“Ele correu ao nosso encontro para nos abraçar e nós tivemos que nos afastar com o coração partido. Ele não alcançou a gente e começou a chorar, e nós todos começamos a chorar. Um momento desse é de cortar o coração”, disse emocionado.
E assim, o casal vai vivendo um dia de cada vez e se dividindo entre a saudade dos filhos e os cuidados com os pacientes e população em geral; mas o desejo é o mesmo: poder abraçar novamente os filhos.