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Ex-seringueiro que morreu de Covid-19 no AC tinha comércio e amava festa: ‘gostava de tudo’, diz filho

Por Redação Juruá em Tempo. 28/05/2020 17:07
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Para quem conheceu o significado do trabalho ainda criança, se aposentar soa como uma sentença. Por isso mesmo, aos 81 anos, Francisco Zacarias Rodrigues mantinha um pequeno comércio onde vendia de tudo um pouco no bairro Estação Experimental, em Rio Branco.

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Ele foi mais uma vítima de Covid-19, que morreu no último dia 26. Ele estava internado no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into) desde o dia 15 de maio. A morte dele foi divulgada no boletim parcial da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) nesta quinta-feira (28) e o documento atesta que ele não tinha registros de outras comorbidades.

Nascido no seringal São Pedro, no Rio Iaco, Chico, como ficou conhecido durante a vida, trabalhou no corte de seringa. Andava pelas matas ainda criança para extrair o látex para a produção da borracha.

Na década de 60 decidiu tentar a sorte em Rio Branco, quando virou comerciante. Mas, nunca deixava suas origens de lado. Prova disso é que no pequeno comércio deixava clara a ligação com a mata, vendia também raízes e plantas para a produção de chá.

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O filho mais velho, Antônio Soares, conhecido como Rufino, conta que a vida do pai foi dedicada ao trabalho.

“Começou a trabalhar no seringal ainda muito novo, mas sempre dando assistência aos pais até decidir ir para Rio Branco e foi trabalhar no ramo do comércio, fez de tudo um pouco. Seringueiro, sempre foi um bom filho, um bom pai, dedicado, amoroso, mas muito rígido. Como teve uma criação severa, criou os filhos dentro do limite, do respeito”, relembra o filho que mora em Porto Velho (RO).

Ele não teve como se despedir do pai, por estar longe, e porque os enterros de vítimas de Covid-19 não permitem aglomerações, nem mesmo uma despedida.

Entre a morte e o enterro, é tudo tão rápido que a família custa acreditar. Mas, a lembrança de um homem forte e festeiro permanece.

“Nunca teve lazer, sempre foi dedicado ao trabalho. Gostava de tudo, menos de preguiçoso, esse aí não era amigo dele. Meu pai sempre valorizou os pais e a gente se inspira na vida dele”, relembra o filho.

Origens

Mesmo com mais de 50 anos morando em Rio Branco, Chico nunca esqueceu as origens. A narrativa preferida ela lembrar a vida que teve nos seringais do estado.

Prova disso foi que no ano passado, ao completar 80 anos em abril, fez questão de fazer uma festa onde o tema foi justamente seringal. Na comemoração, ele foi vestido de seringueiro, teve troca de roupa e uma imensidão de amigos e familiares.

O genro dele, James Rosas, que tem Chico como um segundo pai, lembra de como esse ex-seringueiro gostava de festa.

“Ele era uma pessoa muito animada, gostava de festa, fez 80 anos e o tema da festa foi o seringal. Conseguiu reunir mais ou menos umas 600 pessoas”, relembra.

Pelo sogro, ele nutre admiração, que agora viru saudade, e o tem como exemplo. “Ele era meu segundo pai, tinha uma relação muito boa. Ainda está todo mundo muito abalado”, diz.

Saudável, festeiro e apaixonado pela família, que agora usa os aplicativos de mensagem para prestar homenagens. Se apegaram às boas histórias de Chico. Este ano, a pandemia não permitiu comemorar os 81 anos com festa. Foi mais além, interrompeu também a história desse ex-seringueiro que agora se materializa nas lembranças de fotos e vídeos, sempre com muita gente, sempre com muito barulho.

A casa que ele dividia com a mulher, Maria Fanir, ainda está fechada. Falta coragem para ela encarar a falta do companheiro que esteve ao seu lado por 27 anos. Mas, para os filhos, oito no total, o pai deixa um legado e muita inspiração. “Realizou todos os sonhos e criou todos os filhos”, finaliza o Rufino.

Fonte: Portal G1.

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