“Faremos uma das melhores administrações de Cruzeiro do Sul”, diz pré-candidato do PSL
“Iremos fazer da nossa cidade um lugar melhor para se viver”
É bem verdade que os gregos, que se fizeram notar no mundo, não sabiam de tudo. Algumas de suas teorias, à luz dos dias atuais ou dos fatos concretos, revelaram-se furadas. Mas, em política, apesar dos mais de 3.000 anos que nos separam de seus ensinamentos, eles eram mestres. Foram os primeiros humanos a falar em democracia, em felicidade e em política como uma ação de servir e fazer o bem às pessoas – e jamais ao contrário.
No pensamento grego, a política é a prática de promoção do bem à Polis, à cidade. A cidade era, para eles, um espaço seguro, ordenado e manso onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. Daí o termo político para designar, mesmo nos dias atuais, aos que se dedicam à causa nobre de cuidar da cidade e de sua população, ensinava o saudoso escritor Rubem Alves.
É dele o conceito de cidades sustentáveis, que seriam aquelas que adotam uma série de práticas eficientes voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população, conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Seriam locais bem planejados e eticamente administrados.
Localizada na parte mais ocidental do Brasil, Cruzeiro do Sul é a cidade-polo do Vale do Juruá, uma das regiões que concentram uma biodiversidade fantástica, além das belezas naturais que o desbravador Craveiro Costa, no início do século passado, assombrado com as peculiaridades de uma região à primeira vista ainda selvagem, escreveu no livro clássico que chamou de “A Conquista do Deserto Ocidental”.
É em Cruzeiro do Sul que vive Adonis Francisco de Almeida Souza, 39, nascido na Comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, e criado dentro de um batelão até os três anos de idade. Formado em Letras pela Universidade Federal do Acre (Ufac) Campus Floresta, e em Direito pela Uninorte, ele é o que se pode chamar de pré-candidato qualificado e disposto a promover um debate sobre o futuro de Cruzeiro do Sul e de seu povo.
Filho de comerciantes, que iniciaram suas atividades negociando na “beirada dos rios”, começou a trabalhar aos 12 anos vendendo perfumaria numa banca de frente à antiga loja “Eletrônica Juruá”. Objetivando ter seu próprio dinheiro, chegou a tirar da areia do “boulevar” e fez papagaio para vender. Aos 20 anos chegou a ser presidente da associação dos micros empresários, em Cruzeiro do Sul.
Terceiro sargento da Polícia Militar, acredita e defende uma “nova política” cujos pilares básicos são a democracia, a livre iniciativa, o empreendedorismo, a equidade e a conservação ambiental. Com exclusividade para o Juruá em Tempo, o pré-candidato a prefeito pelo PSL concedeu esta entrevista:
Juruá em Tempo – Por que o senhor quer ser prefeito?
Adonis Souza – A política deve ser movida pelo desejo de servir e construir coisas que verdadeiramente mudem para melhor a vida das pessoas. Quase todos esqueceram o que apregoava Santo Tomás de Aquino. Dar-lhe significado exige propósitos, dedicação, estudo e, acima de tudo, amor ao próximo, preocupação com as pessoas, capacidade de sentir a dor dos mais humildes, a angústia dos desamparados. No entanto, ela foi ficando desacreditada e se transformou em uma arena onde os gladiadores, em sua maioria, são impulsionados por ambições pessoais e práticas pouco republicanas. Por causa disso e de outros fatores, o Brasil foi atingido por uma onda de mudanças, cujo ápice ocorreu no último pleito, notadamente com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, de alguns governadores e centenas de congressistas.
Juruá em Tempo – O senhor acredita que essas mudanças podem chegar a Cruzeiro do Sul?
Adonis Souza – Eu acredito tanto que afirmo: faremos umas das melhores gestões na prefeitura. Costumo dizer que nada acontece por acaso. Que tudo que é tem razão de ser, de existir. Já faz algum tempo que venho sendo incentivado a entrar na política partidária, considerando a minha história de vida, profissional e ideias voltadas para o contexto socioeconômico da nossa região. Por não ter ambições pessoais ou vaidades, nunca levei à frente esse projeto. Porém, o momento atual, despertou em mim o desejo de aceitar esse desafio. Certo dia, o celular tocou: era o presidente local do PSL convidando-me para uma conversa política. Interessante foi que, neste mesmo dia, eu havia lido uma frase de Martin Luther King que dizia: “o que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Em resumo, foi a partir daí que nos envolvemos no projeto da mudança e chegamos até aqui, de mãos dadas com o PSL.
Juruá em Tempo – Como o senhor pretende mudar a realidade econômica e social do município?
Adonis Souza – Cruzeiro do Sul é uma cidade estratégica e com uma enorme potencialidade de crescimento. Reúne todas as características de um estado federativo. É cidade-polo, ou seja, o centro da macrorregião do Vale do Juruá, subsidiando, geograficamente, várias cidades vizinhas. É detentora de uma riquíssima biodiversidade devendo ser explorada, sustentavelmente, proporcionando emprego e renda. Infelizmente o legado político cruzeirense não tem gerado esperanças e sequer expõe ambições para uma economia pujante. Vou lutar para as fábricas de fármacos e cosméticos sejam instaladas, principalmente porque estas seria beneficiadas pelas vantagens e incentivos da Área de Livre Comércio (ALC) Vamos priorizar a infraestrutura, efetivando ações voltadas para a mobilidade urbana, incentivando a livre iniciativa, o empreendedorismo, potencializado a agroindústria, principalmente agregando valor aos produtos regionais, como a mandioca, a banana, o açaí, entre outras culturas vocacionais.
Juruá em Tempo – Diante do cenário adverso, principalmente com a redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a pandemia causada pelo coronavírus, o que o senhor pretende fazer, caso seja eleito prefeito?
Adonis Souza – Os projetos de poder em curso para Cruzeiro do Sul são antigos e pouco influenciou o modo de vida das pessoas. Vamos otimizar os recursos e inverter prioridades. Vamos aproveitar o potencial econômico da região, a sabedoria do povo e as belezas naturais para transformar em atrações turísticas, gerando renda para nossa gente. Enfim, estamos numa região de grande potencial, o que precisamos é de uma administração inteligente e que tenha o compromisso em melhorar a vida das pessoas que vivem aqui. Se o gestor cuidar dos recursos públicos com zelo, dá para fazer mais e melhor.
Juruá em Tempo – É possível conciliar ética e política?
Adonis Souza – Não só é possível como necessário. Os valores estão invertidos ao ponto de a ética ser vista como uma virtude. E não é. Penso que ética deve ser um valor permanente e inegociável na vida do indivíduo, não só do político, mas, sobretudo, porque ele está lidando com o que é público. Se os homens de bem não se manifestarem, os mal-intencionados irão tomar conta da política. A política só é realmente possível, e somente trará os resultados que se espera dela, se for protagonizada por homens e mulheres desapegadas do poder, com forte propósito de contribuição temporária no exercício de governar. Na nossa região a política sempre esteve muito mais próxima do “se servir” do que do “servir”. Somente com transparência nas contas públicas e através da cobrança, do olhar atento do cidadão, é que o político aprenderá a se comportar com ética na política.
Juruá em Tempo – Caso seja eleito, como pretende governar?
Adonis Souza – O parâmetro de conduta do gestor público é a lei: o art. 37 da Constituição Federal, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a Lei 8.666 [Lei das Licitações e Contratos], entre outras, são mecanismos jurídicos e institucionais que dão base a uma gestão ética, eficiente e transparente. É preciso haver um diálogo permanente com toda a sociedade: a juventude, o homem do campo, associações de moradores, empresariado, instituições e todos os setores mobilizados. Dar eficiência à máquina pública a partir de uma maior presença dos cidadãos nas tomadas de decisão, e no controle dos gastos da prefeitura, bem como fazermos contratações por critérios técnicos, o que evitaria o empreguismo tão recorrente em nossa prefeitura.
Juruá em Tempo – O que é a filosofia do bem viver?
Adonis Souza – Isso é o espírito de Ubuntu. Essa palavra integra um dialeto africano que é sinônimo de compartilhamento, comunidade, generosidade e desprendimento. A filosofia do bem viver é o estilo de vida dos povos tradicionais, segundo o qual eles acreditam não ser possível viver melhor sacrificando seus semelhantes. O bem viver é o equilíbrio entre os seres humanos com os elementos da vida. É possível e necessária a aproximação dessa concepção para se buscar uma sociedade mais justa e fraterna. Somos capazes de convivermos com as diferenças. O poder também precisa ser compartilhado para se chegar ao pluralismo e, consequentemente, ao bem viver e à felicidade.