Início / Versão completa
Mais Notícias

Justa homenagem: “Lhé” deve virar nome de monumento

Por Redação Juruá em Tempo. 18/05/2020 16:43
Publicidade

O nome do militante dos movimentos sociais do Acre Abrahim Farhat Neto, o “Lhé”, falecido aos 78 anos na manhã do último sábado 16/05, em Rio Branco (AC) deverá batizar um monumento aos artistas e à cultura acreana, provavelmente no local onde está o chamado “Cacimbão da Capoeira”, no bairro do mesmo nome, no centro da Capital. Indicação neste sentido deverá ser apresentada à Assembleia Legislativa nas próximas sessões pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães (PC do B), que foi aliado e amigo do falecido, ao admitir que acatou sugestão de um amigo para que fosse feita a homenagem.

Publicidade

“Mais que uma homenagem, vamos abraçar esta causa justa por tudo o que o nosso Lhé, o querido Brachula, construiu politicamente no nosso Acre”, disse o deputado, ao anunciar que, a partir desta segunda-feira, já começa a trabalhar a ideia. “Precisamos carimbar o nome do Abrahim num local de destaque do Acre para que as gerações futuras possam ter este grande acreano e brasileiro como referência”, acrescentou Magalhães.

Nascido em Rio Branco, o filho mais velho de uma família de comerciantes de origem libanesa, Abrahim Farhat Neto sempre fugiu do estereótipo da burguesia. Membro de uma família cujas posses iam muito além média local, podendo inclusive ser considerado rico, Abrahim preferia viver e ter como amigos as pessoas mais pobres do bairro em que vivia, que compreendiam as ruas Primeiro de Maio, Rua da África, 6 de Agosto e bairro XV, no 2º Distrito da cidade. “Desde menino, ele sempre foi politizado, envolvido até a alma neste negócio de defender os mais pobres. O pai dele se queixava de que, se não abrisse o olho, seu filho seria capaz de dar todo o estoque de mercadorias da loja aos mais pobres”, contou um amigo da família sobre o compromisso do anonimato. A família era dona da “Casa Farhat”, no 2º Distrito, especializada em vender extintores, espingardas, alumínio e outros produtos muito procurados numa época em que a cidade ainda estava em formação.

Ainda na juventude,  Abrahim Farhat Neto se liga, já sob a ditadura militar, à Igreja Católica, através do então bispo prelado em Rio Branco Dom Giocondo Maria Grotti, que morreria – foi uma das 43 vítimas –  num acidente aéreo, em Sena Madureira, em setembro de 1970. Com a posse de outro bispo no Acre, o catarinense dom Moacyr Grechi, Abrahim continuou suas ligações políticas com a Igreja e isso vai desaguar na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), no início do anos 80. Em 1982, foi candidato a senador da República pelo PT para enfrentar a candidatura do publicitário Said Farthat, ex-prefeito de Brasiléia e na época ministro da Comunicação Social do governo militar do então general-presidente João Baptista Figueiredo. Mesmo morando fora do Acre e sem qualquer ligação com o estado onde vivia sua família, o ex-ministro quis ser senador pelo Acre, no PDS com um slogam através do qual queria ligar seu nome ao do presidente da República: “Acreano, plante, que o João garante’. Abrahim respondia nas ruas: “se você plantar, o titio vai roubar”. Resultado: tio e sobrinho perderam a eleição; o eleito, naquele pleito de apenas uma vaga, foi o médico Mário Maia, então companheiro de chapa no MDB do governador eleito Nabor Júnior.

Publicidade

A derrota na disputa com o tio rico e famoso não tirou Abrahim Farhat da política. Muito pelo contrário. Agora, cada vez mais apoiado pelo bispo dom Moacyr, ele estava aliado ao sociólogo João Maia da Silva Filho, então delegado da Contag (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura) no Acre e saíram pelo Acre fundando sindicatos de trabalhadores e promovendo cursos para lideranças rurais. Foi aí que se deram de cara em Xapuri com um certo Chico Mendes, então vereador e sindicalista do lugar que, anos depois, seria assassinado e se tornaria um  dos brasileiros mais conhecidos no mundo por sua luta em defesa da vida e do meio ambiente. Foi também neste ambiente que Abrahim Farhat Neto se tornou amigo do então aspirante à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Ultimamente, o ex-dançarino de forró do Bar e Restaurante “O Casarão” – e de tantos outros lugares onde fosse possível balançar o esqueleto, que não bebia uma gota de álcool ou usava qualquer tipo de cigarro – andava mais calmo. Cuidava de uma série de doenças, incluindo a que o matou, de origem renal Por um tempo, foi assessor no gabinete do então senador da República Tião Viana, único cargo público que exerceu. Com a derrocada do PT nas urnas, havia se aproximado dos artistas e das empregadas domésticas, ajudando-os na formação de sindicatos e de outras formas de organização. Continuava a fazer campanha nas redes sociais em prol de um estado Palestino na Faixa de Gaza, do outro lado do mundo. “O Abrahim foi um revolucionário que se posicionava contra as injustiças em qualquer lugar do mundo. Por isso, merece todas as nossas homenagens”, disse o deputado Edvaldo Magalhães.

POR TIÃO MAIA, DO AMAZÔNIA AGORA.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.