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Mãe denuncia que bebês estão saindo de maternidade do Acre com infecção de pele

Por Redação Juruá em Tempo.20 de maio de 20205 Minutos de Leitura
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Uma mulher, que preferiu não se identificar, afirma que ela e o filho saíram da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, com várias manchas avermelhadas pelo corpo e denunciou que a situação da unidade está “insalubre”.

Preocupada com a alergia no bebê, que tem menos de um mês, ela disse que resolveu procurar atendimento na Policlínica Barral y Barral e foi quando uma médica informou que todos os bebês que estão nascendo na maternidade de Rio Branco estão apresentando uma “infecção de pele”.

“O meu bebê estava com umas erupções vermelhas no braço e no pescoço e eu vi na televisão que a Covid-19 causa manchas avermelhadas na pele da criança e do adolescente. Fui ao posto e a médica disse que todos os bebês da maternidade estavam chegando lá com essa infecção, que não sabe se é o lençol. Tem crianças que chegam com bolhas de pus. O hospital está insalubre. Nossa maternidade está abandonada”, denunciou a mulher.

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) negou todas as denúncias feitas pela mulher. Segundo o órgão, não procede a informação de que bebês estão saindo da maternidade com infecção de pele, pois eles são avaliados diariamente por pediatras da unidade.

Em nota, a secretaria também nega que as enfermarias da maternidade estejam insalubres. “Temos fiscalização constante da Vigilância Sanitária e até o presente momento não tivemos qualquer notificação a esse respeito. Salientamos também, que a unidade é fiscalizada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar(C.C.I.H)”, afirmou.

A coordenadora de assistência da Policlínica Barral y Barral, Patrícia da Silva, disse que a médica pediatra da unidade confirmou um aumento significativo de bebês recém-nascidos apresentando infecções de pele nos últimos dias. Porém, a profissional não soube confirmar se todas nasceram na maternidade de Rio Branco.

Patrícia não soube informar também quantas crianças foram atendidas com essa infecção na unidade de saúde e desde quando houve o registro de aumento nos casos.

“Conversei com a pediatra e ela falou que percebeu que ultimamente ela tem recebido um número maior de crianças recém-nascidas com essas infecções de pele. Mas, ela não pode relacionar a doença com o local onde as crianças nasceram, se foi na maternidade, ou em outro hospital”, disse a coordenadora.

A reportagem também tentou saber se o Ministério Público do Acre, através do promotor de Saúde do Acre, Gláucio Ney Shiroma, tem alguma investigação em andamento com relação à maternidade ou se tem conhecimento das denúncias, mas não obteve retorno.

Fungos nas paredes e alimentação precária

Além da questão da infecção na pele, a mulher faz várias denúncias com relação a situação da unidade de saúde. Segundo ela, o local tem mofos e fungos nas paredes e teto, paredes descascando.

Ela afirma que os ares-condicionados não funcionam e ficam pingando água nos leitos, a limpeza no local é feita apenas uma vez por dia e a alimentação é precária.

“Não fazem essa troca de lençol todos os dias. Nenhum ar condicionado presta, ficam ligados só gastando energia e jogando água na sala em uma caixa de papelão com um saco dentro. O café da manhã é um pão massa fina sem nada dentro e um copo de café com leite e o almoço todo dia é assado de panela. Nossa maternidade está abandonada, as mulheres que estão para colocar vida no mundo estão abandonadas, os funcionários estão abandonados”, afirmou.

Sobre essas denúncias, a Sesacre também negou as informações. Ainda em nota, o órgão afirma que é “totalmente improcedente” a denúncia de que a limpeza na unidade é feita somente uma vez por dia. Além disso, diz que os lençóis são trocados diariamente e todas as vezes que forem necessárias.

“Muito pelo contrário, a limpeza é feita pelos padrões determinado pela C.C.I.H, ou seja, essa limpeza é feita várias vezes ao dia e, quando necessário é feito a limpeza extra. Não procede a denúncia de que a alimentação seja precária, pois, oferecemos café da manhã que consta: café com leite, pão com manteiga. Quanto ao almoço e janta, é de boa qualidade e com cardápio variado diariamente. Salientamos que também são servidos lanches nos intervalos entre as principais refeições”, destacou.

Ainda na denúncia, a mulher também disse que seu bebê não fez o teste do olho e da orelha porque o aparelho não está funcionando. A mulher denuncia o deficit de profissionais na Maternidade e pede providências do governo.

“Fui informada por pessoas que trabalham lá que há mais de um ano o equipamento que faz o teste do olho está quebrado. Me explicaram a importância de fazer esses testes e que se eu tivesse condição, que procurasse fazer no particular. E quem não tem condições?”, questionou.

A respeito desse ponto, a Sesacre afirmou que o teste do olho vem sendo feito de forma regular e eficiente. “Quanto ao teste da orelhinha, o nosso aparelho está em manutenção e em breve retornaremos com o serviço”, disse a nota.

Funcionários afastados

Em reportagem publicada no último dia 27 de abril, seis funcionários da Maternidade Bárbara Heliodora estavam afastados do trabalho após testarem positivo para Covid-19.

O número total de servidores afastados não chegou a ser levantado. Segundo a Saúde informou na época, a unidade precisou também afastar servidores que estão suspeitos de estarem infectados com a doença e também do grupo de risco.

O G1 tentou atualizar esses números com a Sesacre, nesta terça-feira (19), mas até última atualização desta reportagem não obteve resposta.

A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Raquel Oliveira informou na época que todas as medidas de prevenção estavam sendo adotadas para garantir a segurança, tanto dos funcionários como dos pacientes.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre.

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