Em nota, a secretaria também nega que as enfermarias da maternidade estejam insalubres. “Temos fiscalização constante da Vigilância Sanitária e até o presente momento não tivemos qualquer notificação a esse respeito. Salientamos também, que a unidade é fiscalizada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar(C.C.I.H)”, afirmou.
A coordenadora de assistência da Policlínica Barral y Barral, Patrícia da Silva, disse que a médica pediatra da unidade confirmou um aumento significativo de bebês recém-nascidos apresentando infecções de pele nos últimos dias. Porém, a profissional não soube confirmar se todas nasceram na maternidade de Rio Branco.
Patrícia não soube informar também quantas crianças foram atendidas com essa infecção na unidade de saúde e desde quando houve o registro de aumento nos casos.
“Conversei com a pediatra e ela falou que percebeu que ultimamente ela tem recebido um número maior de crianças recém-nascidas com essas infecções de pele. Mas, ela não pode relacionar a doença com o local onde as crianças nasceram, se foi na maternidade, ou em outro hospital”, disse a coordenadora.
A reportagem também tentou saber se o Ministério Público do Acre, através do promotor de Saúde do Acre, Gláucio Ney Shiroma, tem alguma investigação em andamento com relação à maternidade ou se tem conhecimento das denúncias, mas não obteve retorno.
Fungos nas paredes e alimentação precária
Além da questão da infecção na pele, a mulher faz várias denúncias com relação a situação da unidade de saúde. Segundo ela, o local tem mofos e fungos nas paredes e teto, paredes descascando.
Ela afirma que os ares-condicionados não funcionam e ficam pingando água nos leitos, a limpeza no local é feita apenas uma vez por dia e a alimentação é precária.
“Não fazem essa troca de lençol todos os dias. Nenhum ar condicionado presta, ficam ligados só gastando energia e jogando água na sala em uma caixa de papelão com um saco dentro. O café da manhã é um pão massa fina sem nada dentro e um copo de café com leite e o almoço todo dia é assado de panela. Nossa maternidade está abandonada, as mulheres que estão para colocar vida no mundo estão abandonadas, os funcionários estão abandonados”, afirmou.
Sobre essas denúncias, a Sesacre também negou as informações. Ainda em nota, o órgão afirma que é “totalmente improcedente” a denúncia de que a limpeza na unidade é feita somente uma vez por dia. Além disso, diz que os lençóis são trocados diariamente e todas as vezes que forem necessárias.
“Muito pelo contrário, a limpeza é feita pelos padrões determinado pela C.C.I.H, ou seja, essa limpeza é feita várias vezes ao dia e, quando necessário é feito a limpeza extra. Não procede a denúncia de que a alimentação seja precária, pois, oferecemos café da manhã que consta: café com leite, pão com manteiga. Quanto ao almoço e janta, é de boa qualidade e com cardápio variado diariamente. Salientamos que também são servidos lanches nos intervalos entre as principais refeições”, destacou.
Ainda na denúncia, a mulher também disse que seu bebê não fez o teste do olho e da orelha porque o aparelho não está funcionando. A mulher denuncia o deficit de profissionais na Maternidade e pede providências do governo.
“Fui informada por pessoas que trabalham lá que há mais de um ano o equipamento que faz o teste do olho está quebrado. Me explicaram a importância de fazer esses testes e que se eu tivesse condição, que procurasse fazer no particular. E quem não tem condições?”, questionou.
A respeito desse ponto, a Sesacre afirmou que o teste do olho vem sendo feito de forma regular e eficiente. “Quanto ao teste da orelhinha, o nosso aparelho está em manutenção e em breve retornaremos com o serviço”, disse a nota.
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Em reportagem publicada no último dia 27 de abril, seis funcionários da Maternidade Bárbara Heliodora estavam afastados do trabalho após testarem positivo para Covid-19.
O número total de servidores afastados não chegou a ser levantado. Segundo a Saúde informou na época, a unidade precisou também afastar servidores que estão suspeitos de estarem infectados com a doença e também do grupo de risco.
O G1 tentou atualizar esses números com a Sesacre, nesta terça-feira (19), mas até última atualização desta reportagem não obteve resposta.
A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Raquel Oliveira informou na época que todas as medidas de prevenção estavam sendo adotadas para garantir a segurança, tanto dos funcionários como dos pacientes.
Por Iryá Rodrigues, G1 Acre.