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Amazonas

No AM, mãe perde três filhos para a Covid-19 em menos de um mês: ‘Parece que morri também’

Por Redação Juruá em Tempo. 16/05/2020 13:37
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Em menos de um mês, Maria Moitinho, de 77 anos, perdeu três filhos para a Covid-19 em Manaus. Os três tinham comorbidades, como diabetes e hipertensão, e, para a aposentada, a situação é difícil de superar: “parece que morri”. Os três filhos de Dona Maria estão entre os mais de mil mortos com o novo coronavírus no Amazonas, que já registra mais de 17 mil infectados.

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A morte do primeiro filho ocorreu no dia 5 abril. Raimundo Adalberto Sinimbú, Beto, como era chamado, tinha 58 anos. Oito dias depois, a aposentada precisou se despedir da filha Iolanda Sinimbú, de 48 anos.

Na capital, os números da Covid-19 seguem crescendo e o novo coronavírus, que causa a doença, não preservou, também, a vida Thiago Sinimbú, 52, que morreu poucos dias depois dos dois irmãos.

“Foi uma coisa horrível. Eu estou tentando me recuperar, mas é muito difícil. Parece que morri também”, disse a mãe.

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Mãe perde três filhos para a Covid-19 em menos de um mês — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Maria contou que já passou por várias internações. Chegou a ficar oito dias em uma UTI, já imaginando o pior, mas sobreviveu. Ela disse, no entanto, que nunca imaginou a reviravolta causada pela Covid-19.

“Foi uma coisa tão rápida. Eu perguntei, poxa meu Deus o quê que foi que eu fiz? Eu não sou uma pessoa perfeita, mas procuro fazer o melhor, por que tá acontecendo isso comigo?”, disse.

Religiosa atuante, Maria relata que questionou a morte dos três filhos, mas disse que, um mês após a perda, busca na fé força para seguir em frente.

“Quando eu perdi o meu filho, que eu perdi o segundo, fui lá para o meu quarto e falei: Agora eu vou precisar de vocês, de Jesus e de Maria. Só a força de vocês é que vai fazer eu sobreviver”.

Coronavírus no Amazonas

O total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no estado chegou a mais de 17 mil, nesta quinta-feira (14). Além disso, foram 75 novas mortes registradas pela doença, com o total de 1.235 óbitos.

Nos últimos dias, o estado registrou números recordes desde o início da pandemia. No dia 5 de maio, o estado registrou o maior número de mortes em um único dia por Covid-19. Quatro dias depois, um novo recorde: 1.198 novos casos confirmados do novo coronavírus no mesmo dia. Na terça, o salto foi de 1.249, o maior desde o início da pandemia.

O Governo do Amazonas diz que que o aumento no número de casos novos é reflexo da ampliação da rede de diagnóstico e do aumento da testagem.

Sistema de saúde perto do colapso

Os crescentes números de pessoas infectadas pela Covid-19 superlotaram as unidades de saúde de Manaus e colocaram o sistema de saúde perto de um colapso. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), até as 13h desta quarta (13), a taxa de ocupação de leitos de UTI estava em 86%, mas já chegou a 98%.

O número de mortes também mantém tendência de crescimento. Já são mais de 1 mil, até esta quinta-feira.

A implantação de contêineres frigoríficos foi uma medida adotada para comportar os corpos de vítimas de Covid-19 em hospitais de Manaus, após a repercussão de um vídeo que mostra corpos posicionados ao lado de pacientes internados no Hospital João Lúcio, na Zona Leste de Manaus.

A quantidade de enterros saltou de uma média de 30 para 100 ao dia e, afetou, também, o sistema funerário da capital. No domingo, 26 de abril, Manaus registrou novo recorde no número de sepultamentos. Foram 140, além de duas cremações.

A maioria dos sepultamentos é feita no cemitério Nossa Senhora Aparecida, bairro Tarumã, que recebeu contêineres frigoríficos para armazenar corpos. Foi lá também que a prefeitura abriu valas comuns para conseguir suprir a demanda de enterros.

O empilhamento de caixões também chegou a ser adotado no Cemitério de Aparecida, mas foi cancelado depois de protesto de familiares.

G1

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