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Acre

Após 40 dias sem ver a filha por causa da Covid-19, cirurgião dentista se veste de dinossauro para reencontro no AC

Por Redação Juruá em Tempo. 02/05/2020 13:09 Atualizado em 02/05/2020 13:21
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Há mais de 40 dias sem encontros presenciais com a filha por causa da pandemia do novo coronavírus, o cirurgião dentista Paulo Roberto Pires, 35 anos, colocou fim ao distanciamento. Ele achou uma alternativa diferente, mas que deixasse a filha feliz, ele, então, alugou um dinossauro inflável para poder abraçar a pequena Marina Diniz, de 5 anos, que adorou a alternativa do pai.

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O reencontro dos dois ocorreu na tarde desta sexta-feira (1º), em Rio Branco, após uma amiga do cirurgião que viu a história de um médico que usou um dinossauro para encontrar a família, em São Paulo e sugeriu ao amigo que fizesse semelhante.

“Já recarreguei as baterias. Agora tenho mais energia para continuar”, comemorou o pai, que espera o fim da pandemia e todo esse sacrifício acabar.

Em vídeos do encontro, é possível ver os dois correndo, brincando e trocando abraços e o sentimento compartilhado pelo dois foi de alegria e diversão, conforme descreveu o pai.

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O Paulo Roberto trabalha em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e desde que o governo do Acre decretou o isolamento social, ele, que é separado da mãe de Marina, decidiu em conjunto com ela, que para garantir a saúde da menina, ficaria afastado durante a quarentena.

Os dois conversavam virtualmente todos o dias. Mas, a saudade e a distância era um preço muito alto para pai e filha que sempre foram unidos e nunca tinham ficado longe um do outro por um período maior do que uma semana.

“Uma amiga me mandou um link com a história de um colega médico, que se fantasiou e disse que achou muito a minha cara, porque a história era muito parecida. Eu já sabia a história do Dino Acre, que é um rapaz tem o dinossauro inflável e mandei mensagem e pedi para alugar”, contou sobre a ideia.

Depois de alugar o dinossauro, o cirurgião fez toda a higienização e, então, correu ao encontro da filha.

“Fiz toda higienização, borrifação com álcool em toda a fantasia, para não correr risco e não tive nenhum tipo de contato físico, usei máscara, luva, tudo adequadamente higienizado para que pudesse dar um abraço nela que é o que mais estava me fazendo falta”, contou.

Encontro

O encontro durou pouco mais de uma hora. O Paulo Roberto mora no Portal Amazônia e a Marina no jardim Europa. Eles estavam longe mesmo morando tão perto, mas um dinossauro deu um empurrãozinho para fazer a alegria de pai e filha. Os dois, que já tinham chorado muito, estavam só alegria.

“Falo que a gente faz muita maluquice juntos, então, quando me viu de longe, ela disse: ‘olha o meu pai’. Mas, ainda meio desconfiada. Aí fou me aproximando e ela ainda deu um abraço com muito cuidado, mas, percebeu que era o papai mesmo e a gente passou uma hora e meia brincando, foi quando acabou a pilha de inflar o dinossauro”, relembrou.

O cirurgião vai ficar com a fantasia até o início da próxima semana e já garantiu mais encontros durante o final de semana porque saudade acumulada eles têm e muito.

Paulo Roberto diz que não aguentava mais de saudade da filha — Foto: Arquivo pessoal

Distância

Paulo Roberto disse que o maior período de tempo que ficou longe da filha tinha sido uma semana e que os dois estavam sempre juntos.

“Nunca, nunca na minha vida [tinha ficado tanto tempo longe]. É muito ruim, muito dolorido e a gente sofre muito porque somos muito apegados. Faço mestrado e ela vai comigo. Sempre que possível a gente está junto e ficar longe é muito difícil, tanto para mim quanto para ela”, relembrou.

O cirurgião contou que no início foi o período mais difícil até que os dois se adaptassem com a nova rotina.

“No começo, a gente se falava e ela chorava de um lado e eu do outro. Mas, a gente conseguiu conversar e ela foi entendendo a importância de a gente estar esse tempo separado que é uma prova de amor, na verdade”, complementou.

A pequena Marina aprovou a ideia do pai — Foto: Arquivo pessoal

Fantasia

A escolha da fantasia foi aleatória, segundo contou o pai. Ele disse que conhecia trabalho do dono do dinossauro e devido o material ser inflável, tornou a higienização mais fácil.

“A ideia era ter um encontro com proteção, poder abraçar ela e evitar ter algum risco. Então, foi ideal porque a gente consegue borrifar todo plástico da fantasia. Foi um contato com muita proteção e cuidado”, concluiu.

Irá Rodrigues – G1
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