Bolsonaro distorce OMS sobre assintomáticos e diz que pânico está acabando
O presidente Jair Bolsonaro espera uma “reabertura mais rápida” após a divulgação da Organização Mundial de Saúde (OMS) ontem, de que a disseminação assintomática do coronavírus é “muito rara”. Segundo ele, que voltou a distorcer a informação do órgão, “o pânico começa a se dissipar”.
“Ontem a OMS também disse que a transmissão de pessoas assintomáticas é praticamente zero. Muitas lições serão tomadas. Isso pode sinalizar a uma abertura mais rápida e do comércio e a extinção de medidas mais rígidas autorizadas pelo STF e por prefeitos e governos estaduais. O governo federal não participou disso. Vai ter muita discussão”, disse Bolsonaro durante a 34ª reunião do Conselho de Ministros, hoje, em Brasília.
“Esse pânico que foi pregado lá atrás por parte da grande mídia começa talvez a se dissipar levando em conta o que a OMS falou por parte do contágio dos assintomáticos”, completou o presidente.
A OMS, na verdade, informou que “parece haver” baixa transmissibilidade de assintomáticos e citou por enquanto apenas um estudo de pequeno porte feito pela China.
A chefe do programa de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, ressaltou depois, em sua conta no Twitter, que há diferenças entre assintomáticos e pré-sintomáticos —pessoas que ainda não têm sintomas, mas vão desenvolvê-los. Essas pessoas transmitem mais intensamente no início da contaminação.
Bolsonaro passou a defender novamente o fim do isolamento social com mais vigor depois dessas informações. “Quem sabe poderemos voltar à normalidade que tínhamos no começo deste ano”, disse Bolsonaro ao abrir a reunião.
Apesar do estudo citado, a OMS não reviu a necessidade de isolamento social para frear a disseminação do vírus. De acordo com Van Kerkhove, as ações dos governos devem se concentrar na detecção e isolamento de pessoas infectadas com sintomas e no rastreamento de qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com elas.
Porém, ela declarou que são necessárias mais pesquisas e dados para “responder verdadeiramente” à questão se o coronavírus pode se espalhar amplamente por pessoas assintomáticas.
*Com informações da Reuters