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COTIDIANO

Com máscaras e longe da família, médicos se casam em cartório no Acre e adiam festa devido à pandemia

Por Redação Juruá em Tempo. 03/06/2020 07:29
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Juntos há pouco mais de cinco anos, os médicos Daniel Barreto e Amoty Pascoal Nogueira, ambos de 34 anos, não imaginavam que teriam que fazer o casamento de forma tão intimista. Os dois trabalham na linha de frente do combate ao novo coronavírus, ele como cirurgião vascular e ela como pediatra e neonatologista.

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Em dezembro do ano passado, em uma festa com amigos e familiares, eles noivaram em Rio Branco. Estava tudo certo para uma grande festa no dia 2 de maio, mas eles não imaginavam que uma pandemia mudaria os planos. Com os eventos suspensos e as orientações de isolamento social, os dois tiveram que adiar a festa tão esperada de casamento.

Porém, não abriram mão do casamento civil. E foi assim, na sala do cartório, com duas testemunhas e seguindo todas as recomendações de saúde, que os dois oficializaram a união. Um cerimônia sem festa, amigos e familiares, mas que mostrou a força do amor dos dois.

“Somos cristãos e a gente planejou tudo para 2 de maio, mas Deus reservou outra data. O casamento cristão é a comunhão com Cristo, então a festa, esses rituais, ostentação, futilidade, a gente gosta, claro que é bom celebrar, mas o principal é estar em comunhão com Cristo e fazer o mandamento dele direitinho”, conta a médica.

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Foi com esse pensamento que eles decidiram manter a união no cartório. Também para servir de alento, já que não foi só na comemoração do casamento que os dois não puderem ver a família. Por trabalharem no combate à Covid-19, os dois não têm tido contato físico com a família.

Amoty, que morava com os pais em Rio Branco, teve que ir para um apartamento. Ela diz que há mais de dois meses não vê a família com medo de passar algo para eles.

“A gente está na linha de frente e, por isso, a gente está longe da nossa família. Até evito acompanhar esse tempo números pra não machucar mais, mas eu morava com meus pais e estou em um apartamento agora longe da minha família, que não tenho contato físico há quase dois meses. É muito difícil, a saudade bate”, diz a médica.

Fotos para eternizar

Mas, Amoty diz que os dois tinham dois caminhos; ou se lamentavam pela festa não ter ocorrido ou celebravam juntos para focar no lado bom. Ela diz que como Daniel é médico, durante a pandemia ela só tem contato com ele.

“O único contato que eu estava tendo era com meu noivo, porque, como ele também está na linha de frente, a gente só conseguia manter contato um com outro. Juntando isso com minha questão religiosa, a gente resolveu manter o casamento. A gente tem que manter o isolamento, ficar longe, mas, mesmo assim, a gente conseguiu fazer uma cerimônia, umas fotos bonitas e mostrar a mensagem que realmente importa, que realmente prevaleceu, que foi o amor e nossa união”, destaca.

Namoro à distância

E se tem uma coisa que esse casal sabe superar é a adversidade. Os dois tiveram que se adequar à distância até o dia do casamento. Daniel é concursado da Saúde em Porto Velho (RO), já Amoty tem consultório em Rio Branco e também é servidora da Saúde no estado acreano.

Quando se conhecerem, os dois faziam especialização e a distância fazia parte da rotina do casal.

“Ele ficou dois anos em Minas Gerais, se especializando, e eu fiquei em Rio Branco fazendo neonatologia. A gente formou nas especializações, só que ele voltou para Porto Velho, porque é a cidade dele e a gente vem mantendo esse relacionamento à distância desde então. Noivamos no dia 7 de dezembro e a gente tinha marcado uma festa enorme, maravilhosa para o dia 2 de maio em Rio Branco”, relembra.

A festa não aconteceu, mas mais do que memórias afetivas, o casal também arranjou uma meio da família acompanhar esse momento por fotos e compartilhar um pouco deste momento.

‘O lado bom da história’

Depois da cerimônia no cartório, os dois seguiram para uma chácara em Rio Branco. Por ser um local aberto, a médica disse que foi uma maneira de poder tirar fotos sem máscaras. A fotógrafa manteve a distância e seguiu todos os protocolos de segurança.

Ali, na chácara, que também é a casa da melhor amiga da médica e também madrinha do casamento, Daniel e Amoty puderam registrar as primeiras fotos da família que começa agora. Sem máscaras e com um cenário aconchegante, dá até pra esquecer um pouco da pandemia.

“Sempre é sofrido, porque a família não participou. Mas, a gente preferiu ficar com o lado bom da história ao invés de ficar se lamentando sobre distanciamento e a falta da família. A gente resolveu fazer um momento bonito da nossa união, focar na comunhão com Cristo, de como Deus está sendo bom pra gente, cuidando da nossa família, ajudando a construir nossa família. No meio de tanta coisa ruim, está acontecendo tanta coisa boa. Então, a gente preferiu focar nisso”, diz.

Mas, a festa ainda está de pé e vai ser comemoração em dobro. Como médicos, os dois acreditam que no ano que vem a festa sai. Aí sim com tudo que tem direito, família e amigos pertinho para festejar juntos essa união.

Enquanto isso, Amoty se apega ao amor e a nova fase que começa agora para acalmar o coração e aguentar firme nessa batalha contra o coronavírus.

“Aí ano que vem, vai ser uma festa maior ainda. A gente está mantendo a distância de todo mundo, mas o nosso casamento foi para mostrar que nossa história linda desde o início e vai continuar sendo linda e que isso é um conforto pra gente no meio de tanta coisa ruim”, finaliza.

Os dois estão montando a casa em Porto Velho, mas a médica diz que vai manter sua carreira no Acre e, por isso, vai manter a ponte aérea para poder continuar com os compromisso em Rio Branco.

Por Tácita Muniz, G1 AC.

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