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Em coma, grávida de seis meses com Covid-19 tem parto induzido no Acre

Por Redação Juruá em Tempo. 15/06/2020 13:52
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No sexto mês de gravidez e internada com Covid-19 há nove dias, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do pronto-socorro de Rio Branco, a acadêmica de psicologia Patydan Castro, de 34 anos, teve o parto induzido nesta segunda-feira (15).

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A informação foi confirmada ao G1 pelo marido da paciente, o médico Raimundo Castro que acompanha de perto o tratamento da mulher. Segundo ele, a medida é para não colocar em risco a vida da mãe e do bebê.

Patydan está internada há 20 dias com a doença. Inicialmente, ela ficou na enfermaria de emergência do pronto-socorro de Rio Branco e depois foi levada para a UTI da unidade. Ainda segundo o marido, há sete dias, ela está entubada.

“No momento ela está muito instável, a evolução dela não está bem, está com taquicardia e os obstetras e intensivista se reuniram e decidiram induzir o parto do bebê para tirar e levar ele para UTI neonatal. Para segurar o bebê, ela usa 30% da estrutura dela, e não tem como fazer uma dose mais plena, um tratamento mais seguro, que se aumentar muito o bebê pode ir a óbito. Já está sendo feita a medicação para indução ao parto normal”, disse o marido.

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Ele explicou que não é possível fazer uma cesariana porque a mulher não iria suportar.

“É complicado, perde muito sangue e ela não consegue ir para o centro cirúrgico, não tem como tirar ela da UTI, ela não suporta uma cesariana. Mas, ela vai evoluir bem, quando tirar o bebê, ela vai ter força e vai dar para fazer um tratamento mais rígido. Tanto ela como o bebê vão ficar bem”, acredita.

‘Ela tinha muito medo de pegar’

O casal já tem uma filha de 4 anos e planejou a segunda gravidez. O pai conta que é um menino e que o nome já tinha sido escolhido antes mesmo da mãe ficar doente. O pequeno vai se chamar José Valente, seguindo o da irmã que se chama Maria Valentina.

Por conta da profissão do marido, a acadêmica redobrou os cuidados na gravidez. O médico conta que nem estava dormindo em casa para evitar a contaminação. Ele também pegou a Covid-19, mas diz que a mulher teria contraído a doença de uma secretária que continuava trabalhando na casa da família durante a quarentena.

“Eu estava em um hotel e quem estava em casa ajudando minha esposa era a secretária. Ela pegou a Covid-19 e com quatro dias depois a minha esposa pegou também. Desde quando tudo começou, em março, ela ficou muito assustada e se isolou no quarto, com muito medo de pegar por conta do bebê que a gente planejou, ela estava se cuidando muito. Mas infelizmente essa doença é assim. Agora temos que buscar forças em Deus”, contou.

Na última sexta-feira (12), o médico foi para frente do pronto-socorro e fez uma oração pedindo pela vida da mulher. “Acredito em Deus, fiz essa oração não só para ela, mas para todo o hospital, todos que estão nessa luta, a gente está numa guerra”, lamentou.

O marido chegou a fazer uma campanha pedindo a doação de plasma de pessoas que tiveram a Covid-19 e já são consideradas curadas para ajudar no tratamento da mulher. Se trata de um tratamento experimental em pacientes internados com a doença.

“Essa campanha não serviu só para ela, foram muitas as doações e serviram para os demais pacientes que estão internados”, concluiu.

Coronavírus no Acre

Durante uma semana, o Acre registrou 2.117 casos novos de Covid-19. Analisando o período, o domingo passado, dia 7, foi o dia que mais teve casos novos registrados no boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre).

Já nesse domingo (14), os casos novos foram 108 em 24 horas, o menor número durante toda a semana. Agora, ao todo, o Acre tem 9.642 e, deste total, 5.108 pessoas são consideradas curados.

Há ainda 388 exames aguardando o resultado no Lacen e Marieux. O estado está em contaminação comunitária desde o dia 9 de abril.

A taxa de contaminação é de 1.093,3 casos para cada 100 mil habitantes. Todas as 22 cidades do Acre já registram casos da doença. A taxa de letalidade é de 2,7.

Das 259 mortes, 175 foram de pessoas acima de 60 anos, uma taxa de 68% dos casos. Os homens são os que mais morrem, sendo que 163 (63%) das vítimas fatais foram homens e 96 (37%) mulheres.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC — Rio Branco.

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