Rio Branco, Acre, 19 de setembro de 2020

Com autismo, com afeto: pai fala sobre os desafios de criar um filho autista de 3 anos

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

A vida do analista de sistemas George de Jesus Sena (36) passou por grandes mudanças quando descobriu, no início deste ano, que seu filho mais novo, o pequeno Artur, de apenas três anos, é portador do espectro do autismo, um transtorno que provoca alterações na capacidade de comunicação, interação social e comportamento.

Pai de outro menino, o também músico não esperava um filho com essa condição, da qual tinha pouquíssimo conhecimento. “Apenas ouvia falar sobre”, comenta.

“Minha reação a descobrir que sou pai de um autista, no primeiro momento, foi um impacto, uma grande surpresa, e junto disso a incógnita de: ‘E agora, como vai ser? Vou dar conta disso? Como ele vai viver nesse mundo louco? Ele vai ter uma vida livre de preconceitos?’ Todas essas perguntas vieram de uma única vez”, lembra.

Hoje, ele vive um processo de intenso aprendizado sobre como cuidar de uma criança autista – e o amor ao filho, que já era grande, ficou ainda mais especial. Apesar de não morar com Artur desde o ano retrasado, George o visita diariamente e passa longas horas do dia ao seu lado, brincando e ensinando.

“A diferença entre lidar com filho típico e atípico é no trato, na lida com eles, na forma de ensinar, na forma de conduzir a rotina. O filho atípico tem que seguir padrões e repetir os comportamentos, ele é linear, faz as coisas sempre da mesma forma, qualquer alteração nesses padrões pode causar frustrações, ansiedades e dificuldades em aceitar o novo padrão. E com a filho típico isso não acontece, ele aceita mais fácil as mudanças”.

Ele lembra que assim que soube do diagnóstico procurou informações sobre a inclusão dos autistas no sistema educacional público do Acre e recebeu informações positivas, especialmente sobre a presença de mediadores nas escolas.

Atualmente, a criança está matriculada em uma creche particular, onde brincava e aprendia desde antes da confirmação do transtorno, que se deu já durante a pandemia de coronavírus.

Para Sena, apesar de existir bastante informação acerca do autismo, ainda falta muita empatia e entendimento sobre o assunto por parte da sociedade.

Mudança total

O analista de sistemas é enfático ao comentar sobre o quanto sua vida se transformou ao descobrir que tem um filho autista.

“Foi uma mudança total. Mudei a forma de ver a vida, a maneira de lidar com as emoções e sentimentos, passei a valorizar mais as coisas simples do meu dia a dia, sabendo que não é fácil lidar com isso. Não romantizo o autismo, pois não há nada de romântico nele, mas não quero encará-lo como um bicho de 7 cabeças”.

Sobre a paternidade, que já havia experimentado antes do Artur, George afirma que é um exercício diário de amor, dedicação e exemplo.

“Ser pai é abrir mão do ego, do orgulho, das minhas próprias vontades, das perspectivas, dos planos, de alguns sonhos, da forma de ver o mundo, tudo por amor aos filhos. É dedicar a vida, ser exemplo e modelo. Segurar na mão e dizer: ‘Estou aqui conte comigo para sempre!”.

Por Leandro Chaves, do Contilnet.

Leia também

Receba nossas novidades

Av. Rodrigues Alves 60 – Centro – Cruzeiro do Sul AC.