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Beirute: mais de 100 mortes, 300 mil sem-teto e risco de desabastecimento

Por Redação Juruá em Tempo.5 de agosto de 20204 Minutos de Leitura
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As explosões que atingiram Beirute na terça-feira fizeram pelo menos cem mortos e o risco é de que a cidade e o país vivam um desabastecimento de alimentos. Os alertas foram lançados por entidades operando nos resgates das vítimas. O governo local também aponta que entre 250 mil e 300 mil pessoas estão desabrigados ou tiveram suas casas profundamente afetadas diante do impacto das explosões.

De acordo com a Cruz Vermelha Libanesa e a OMS, o número de mortos já seria de mais de 100 pessoas, além de 4 mil feridos. Muitos, segundo as entidades, ainda estão presos nos escombros dos prédios atingidos pela explosão.

Nesta quarta-feira em Genebra, o diretor de operações da OMS, Mike Ryan, anunciou que sua agência está “pronta para ajudar o Líbano”. “Existem milhares de pessoas feridas e isso tudo vem num momento difícil”, disse. “Nossa equipe está presente”, explicou. Segundo ele, material hospitalar já foi enviado pela OMS para o país e, se necessário, equipes de emergência estão prontas para embarcar para Beirute. “Muitos hospitais estão saturados”, completou. Países como Kuwait, França ou Rússia já iniciaram o envio de assistência.

Em outra declaração, o governador de Beirute, Marwan Abboud, revelou que a estimativa é de que mais de uma centena de pessoas continuam desaparecidas, inclusive bombeiros, e que os danos para a cidade podem chegar a 5 bilhões de dólares. Mais da metade da capital teria sido atingida.

Brasileiros na cidade confirmaram à coluna que a busca de parentes por seus familiares tem sido uma imagem constante nas portas dos hospitais, além de listas e fotos circulando nas redes sociais com os nomes dos desaparecidos.

“O que estamos testemunhando é uma enorme catástrofe”, disse o chefe da Cruz Vermelha do Líbano, George Kettani. “Há vítimas e feridos por toda parte”. “Mais de 100 perderam suas vidas”. Nossas equipes ainda estão realizando operações de busca e resgate nas áreas próximas”, disse a entidade nesta quarta-feira.

Outra preocupação se refere ao abastecimento de alimentos. O porto armazenava 85% dos estoques de cereais do país e principalmente o trigo, essencial para a base da alimentação da população.

Para a entidade Save the Children, o desastre “não poderia ter ocorrido em pior momento”. A crise econômica havia deixado o país de joelhos e, segundo a organização, 500 mil crianças estavam abaixo da linha da pobreza. “O porto de Beirute, agora totalmente afetado, é vital para o abastecimento de alimentos, grãos e combustível que o Líbano importa”, disse Jad Sakr, diretor da ONG. “Famílias poderão sentir imediatamente a falta de itens básicos”, alertou.

Antes da explosão, os preços de alimentos já tinham sofrido uma alta de mais de 160% desde setembro e uma em cada cinco famílias foi obrigada a abandonar uma das refeições no dia. O desemprego também subiu em 45% no período.

De acordo com a empresa de trading Mena Commodities, os armazéns poderiam não estar em sua capacidade máxima, já que o governo enfrentava já uma penúria de alimentos no mercado e tentava liberar alguns de seus estoques estratégicos para garantir o fornecimento de pão.

Mas a destruição de parte importante da estrutura do porto coloca um desafio extra aos libaneses. Hoje, o país produz apenas 10% de seus alimentos e depende de importação. Com terminais de cargas afetados, o temor é de que mesmo a decisão das autoridades de acelerar a compra de alimentos não seja suficiente para impedir uma crise maior.

Nesta quarta-feira, o governo anunciou que os estoques de trigo do porto não poderiam ser consumidos. Mas que haveria fornecimento até que novas importações fossem realizadas.

As autoridades também indicaram que estavam abrindo investigações sobre a origem da explosão. Cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância usada na produção de explosivos e fertilizantes, podem ser a causa da explosão. A substância havia sido confiscada e estava sendo armazenada sem o devido cuidado, informou o presidente do Líbano, Michel Aoun.

Jamil Chade – Colunista UOL
Por:
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