O cantor e compositor Fernando Melo nasceu em 1964, em Cruzeiro do Sul, e deixou a cidade na década de 70 para fazer sucesso nos palcos do Rio de Janeiro. Atualmente mora em Teresópolis e tem um extenso trabalho autoral. Entre as composições, o artista faz uma reflexão sobre a preservação da biodiversidade com a música “Juruá”.
Além de expressar seu sentimento pela cidade onde nasceu e passou sua infância, a composição faz uma abordagem dos aspectos ecológicos e culturais da Amazônia sob uma ótica universal.
‘Onde eu nasci tem curió,
Bem-te-vi, lá no cipó
A cara do saci no vendaval
Oi tem Mapinguari no pantanal’.
O trecho acima apresenta elementos típicos da cultura da Amazônia, especialmente do Vale do Juruá, mas transcende para a região do pantanal.
“A gente parte da nossa aldeia para ter essa visão universal que hoje é uma preocupação no Brasil inteiro, principalmente com a Amazônia que está sendo, de uma certa forma, devastada. É o cuidado que precisamos ter com a nossa casa. Também retrata esses elementos místicos da nossa brasilidade. A Mula sem Cabeça, o Saci Perere, essas entidades que a cultura popular criou”, revela o artista.
Fernando Melo é filho do saudoso promotor de justiça João Torres que trabalhou durante 20 anos em Cruzeiro do Sul e era muito querido na segunda maior cidade do Acre. O cantor ficou mais de 30 anos sem voltar a sua cidade natal. Somente em 2015, ele retornou para trazer uma memória do pai para o Centro Cultural do Juruá que passou a expor a biografia do promotor.
“Nossa mensagem é para termos esse olhar de cuidados e carinho por essa região tão fantástica onde temos o principal ecossistema do Brasil. Temos que tentar preservar essa riqueza tanto na questão física, que é a mata, quanto na questão cultural que são as lendas e as estórias”, ressalta o artista.

