DF registra casos de síndrome em crianças que tiveram Covid
Até o final de julho, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal registrou 13 casos de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica que podem estar relacionados à Covid-19. A doença atinge crianças e adolescentes com idade entre 7 meses e 16 anos.
O Ministério da Saúde monitora os casos. A pasta afirma que “ainda não há evidências de que a Covid-19 cause a síndrome”. No entanto, conforme informações das Secretarias de Saúde dos estados brasileiros, que registraram a doença, parte dos pacientes apresentou infecção pelo novo coronavírus, ou teve Covid-19.
A médica Marina Barbosa é mãe de um bebê de 9 meses. Há duas semanas, a criança apresentou a doença.
Nesta sexta-feira (7). Marina que, no final do mês de junho, ela e o marido tiveram os sintomas da Covid-19 e testaram positivo para o vírus. Os dois ficaram em casa, isolados.
Mas, em poucos dias, Murilo, o filho do casal, também apresentou sintomas. “A gente já falou logo com a pediatra dele e, na mesma hora, ela disse que era sugestivo para a Covid”, disse Marina.
Os três se recuperaram, no entanto, um mês depois, o filho apresentou manchas vermelhas na pele e uma febre leve. “Achamos que pudesse ser uma alergia. Como eu e meu marido somos médicos, tratamos como uma alergia mesmo”, lembra.
Mas, no dia seguinte, o bebê acordou com os pés e as mãos inchados, além de continuar com febre. Os pais procuraram novamente a pediatra que foi quem desconfiou da síndrome.
“A pediatra sugeriu a síndrome por ter aparecido quatro semanas depois da doença, e pelos pés e mãos inchados”, conta a mãe de Murilo.
Murilo foi internado na UTI de um hospital particular. Segundo os médicos que cuidaram dele, o bebê era o paciente mais novo a apresentar a síndrome no DF.
“Ele fez uma bateria de exames, e tudo deu alterado. No dia seguinte, teve uma melhora, e em 48 horas, as manchas passaram. Ele teve alta e foi pra casa em 4 dias”, afirma.
Semana passada, Murilo repetiu os exames e as taxas no sangue estavam melhores. O bebê continua em tratamento e vai refazer os exames dentro de duas semanas.
Marina conta que, mesmo sendo médica, não quis se aprofundar sobre a doença para não se preocupar excessivamente com o problema. Ela aponta que preferiu confiar e seguir o tratamento que a pediatra e a equipe que cuidou de Murilo no hospital orientaram.
“Com esses casos acontecendo agora, os pediatras já estão mais alertas. E todos foram muito sinceros dizendo que é tudo muito novo e que eles também estão aprendendo com esses casos”, conta Marina Barbosa.