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COTIDIANO

“Se ele deu, ele mesmo tirou”, Vagner Sales maior cabo eleitoral de Ilderlei também foi o principal responsável pela cassação

Por Redação Juruá em Tempo. 15/08/2020 18:19 Atualizado em 15/08/2020 22:34
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“Se ele deu, ele mesmo tirou”, Vagner Sales maior cabo eleitoral de Ilderlei também foi o principal responsável pela cassação

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O universo da política é raelmente um campo de gramado tortuoso que a torcida quase não consegue decifrar quem foi o responsável pelos principais lances que ocorreram em uma partida. O caso da ascensão e queda do cassado prefeito Ilderlei Cordeiro, muita gente ainda não entendeu que o jogo teve como protagonista principal o ex-prefeito Vagner Sales.

Para os súditos do “Leão do Juruá”, como o chamam aqueles que acreditam em seu pontencial político, foi ele o maior responsável por garantir a chegada de Cordeiro ao maior cargo eletivo da segunda maior cidade do Acre. Não deixa de ser uma premissa com fundamento, já que Ilderlei, que ocupou uma cadeira de deputado federal depois de ter passado dois anos como vice-prefeito na gestão de Zila Bezerra, enfrentava um momento de desgaste político, após uma derrota na disputa pela prefeitura que assumiria posteriormente.

Com a máquina na mão, Sales subiu nos palanques, visitou comunidades, conversou e convenceu a maioria que seu pupilo, à época, seria a melhor opção para o povo de Cruzeiro do Sul. Foi o “Rei da Selva” também o maior articulista dos enlaces que garantiriam o apogeu de Cordeiro.

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Com todo esforço, o Leão rugiu muito ao comemorar seu gol de placa com a vitória creditada mais ao seu empenho do que à própria credibilidade do povo ao seu candidato. No entanto, entre tantos lances, ainda em campanha, foi Sales também quem arquitetou a maior jogada que levaria o time, que tanto contribuiu, ao fracasso. Há quem diga que foi na ânsia de desbancar outra candidatura, a do ex-deputado federal Henrique Afonso, que o Leão passou a abocanhar os partidários de um grupo rival.

Entre os que seriam engolidos, estava um candidato a vereador que, pelo seu anonimato, nem ele mesmo imaginava que tivesse chances de vencer a eleição e muita gente ainda duvida dos motivos que leveram a fera a fazer do tímido adversário, quase sem votos, uma de suas presas.

Empolgado com a possibilidade de uma nova aquisição para seu grupo de apoiadores, foi o então prefeito quem agendou uma reunião, para oferecer uma “merreca” de R$ 5 mil, mais cargo na gestão pública. Mal sabia ele qual seria a verdadeira intenção do negociante que planejava um golpe letal no “Rei da Selva” e em todo seu grupo.

O fato é que toda conversa do famigerado encontro foi gravada pelo candidato que estaria sendo aliciado. O áudio circulou de ouvido a ouvido pela cidade e, quem teve acesso e lembra deve ainda escutar o rugido principal naquela sala onde teve início o fim da carreira de Ilderlei e levaria Vagner Sales à aposentadoria, contragosto, de sua carreira política.

Vagner Sales oferta o money, delibera aos seus assessores o pagamento, garante comodidade ao cortejado em sua gestão e joga a responsabilidade para Ilderlei que deveria ser o responsável pelo bem-estar futuro do inibido e traiçoeiro candidato a vereador. Também se há de lembrar que os áudios mostravam a participação de Ilderlei Cordeiro como se fosse um coadjuvante, disposto apenas a concordar com as decisões do “Rei Leão”.

Não demorou muito e o flagra chegou. Os assessores de Sales foram pegos com a mão na botija tentando acertar o pagamento do grande acordo, mas acabaram nas grades e tudo passou a ser explicado perante a justiça que parecia ter montado em uma tartaruga para analisar todos os fatos.

Foram quase 4 anos de vai e vem. Enquanto isso, teve festa da vitória na casa sem muros como se todo sucesso tivesse sido apenas pela força do Leão do Juruá. Teviram acordos para começar a gestão, mas não demorou para que, no reino dos animais cada um entendesse que Leão e Cordeiro não podem trilhar o mesmo caminho.

Eles se desentenderam. O Cordeiro alegou que o Leão queria engolir tudo no reino. Já o Leão reclamou de injustiça, pois teria lutado pelo trono para depois não ter direito ao seu bocado.

Os jogadores já não estavam no mesmo time quando o juiz apitou o final da partida. Por unanimidade, os desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral decidiram pela cassação de Ilderlei Cordeiro que levou no bojo o seu vice, Zequinha Lima, que assistiu tudo apenas no banco de reservas. Ilderlei ainda saiu sem poder voltar ao jogo, pois se tornou inelegível.

Para o craque desse jogo também teve cartão vermelho. Vagner Sales que elegeu Ilderlei e foi responsável pela articulação do encontro que resultou na cassação teve seus direitos políticos cassados por 8 anos.

No fim do jogo, o prefeito cassado lamentou a derrota. Já o protagonista da partida, mesmo com a punição, comemorou a queda do time como se tivesse marcado mais um gol de placa e fosse o artilheiro da competição e responsável pelas melhores jogadas.

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