Rio Branco, Acre, 28 de outubro de 2020

Após receber transplante de rim, homem se torna voluntário e ajuda pacientes que fazem hemodiálise no Acre

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

Um problema de hipertensão que acabou afetando os rins do voluntário Roberto Carlos Neto, de 43 anos, levou ele a uma fila de transplantes em Rio Branco. A espera acabou há quatro anos e, depois disso, ele se dedicou a ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo problema e têm que enfrentar a hemodiálise.

No Dia Nacional de Transplante de Órgãos, comemorado neste domingo (27), muitas pessoas ainda aguardam na fila por uma doação. E, minimizar essa espera, para ele é muito importante.

“Tudo que eu quero é saúde para continuar ajudando as pessoas. Meu sentimento é de gratidão e felicidade em ajudar”, conta, orgulhoso sobre o trabalho que faz.

Neto fala que o problema nos rins dele surgiu por causa de uma hipertensão, e ele ficou quase dois anos a espera de um transplante.

“A pressão alta foi debilitando os rins porque as veias de circulação foram estourando e foi paralisando e perdendo as funções. Fiquei na hemodiálise um ano e 11 meses. É uma nova vida. A gente renasce, apesar de não poder fazer o que fazia antes, mas, a vida continua normal em pelo menos 90%. Tenho algumas restrições em relação à alimentação”, ressalta.

Roberto Carlos Neto é transplantado há quatro anos — Foto: Acervo/Central de transplantes

Trabalho voluntário

O trabalho voluntário começou após o sofrimento que passou durante o período no qual fazia tratamento na Fundação Hospitalar do Acre. Devido à pandemia de Covid-19 e por fazer parte do grupo de risco, ele afirma que o desejo dele é que tudo volte ao normal, inclusive a realização dos transplantes que tiveram uma redução neste ano por causa da pandemia.

Em 2016, ele conseguiu um doador e fez o transplante. Depois de passar pelo procedimento, após oito meses, ao se recuperar, começou a trabalhar como voluntário, já em 2017.

“Ajudo os pacientes que passam pela mesma coisa que eu passei. Agendo as consultas das pessoas transplantadas. Sofri muito e vi nas pessoas a mesma dificuldade que eu passei e lembrava de quando eu fazia a hemodiálise e tinha que ir para a fundação e ficar na espera’, ressalta.

O voluntário relembra o sofrimento que passou e afirma que o sentimento dele é de apenas tentar minimizar o sofrimento dos outros.

“Era um sofrimento. A máquina de hemodiálise não é tratamento, é uma sobrevivência, é muito triste. Mas, Deus abençoou e eu consegui, por isso, o que puder fazer para ajudar os outros, é meu dever”, complementa.

Roberto Carlos contou que durante a espera, um irmão dele sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2016 e morreu. E, desde então, ele despertou a empatia.

Quando perdeu o irmão, ele autorizou a doação dos órgãos. Ele não pôde receber o rim porque não era compatível. Apenas dois meses depois ele conseguiu um doador.

“Pensei em mim, e pensei nas outras pessoas. Eu não queria que ele falecesse, mas igual eu gostaria que fizessem comigo e hoje têm pessoas vivas com os rins dele”, conclui.

Transplantes no Acre

Com 80 pessoas na fila esperando por transplantes de fígado, rins e córneas, o Acre teve uma queda de 65% no número destes procedimentos neste ano por causa da pandemia de Covid-19.

A coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), Regiane Ferrari, informou ao G1 que neste ano foram feitos apenas 13 transplantes – 10 córneas e três de fígado. No ano passado, foram 37 procedimentos – 23 córneas, quatro de rins e 10 fígados.

“Ano passado nós tivemos 37 transplantes e nesse ano tivemos 13. Aconteceu a fatídica pandemia e isso não foi só no Acre, ocorreu em todo Brasil. Diminuiu o número de doadores por conta da Covid e todo estado de emergência que voltou todas as atenções para a pandemia”, disse Regiane.

Com esse número de pessoas na fila e a redução das cirurgias, a coordenadora afirma que a situação é preocupante.

“Muitas vidas estão sendo ceifadas. Os pacientes em lista vão a óbito porque não conseguimos o órgão em tempo hábil. As pessoas vão piorando, muitos faleceram por falta do órgão, que, devido à pandemia, diminuiu o número de doações”, lamentou.

A partir de agora, Regiane disse que as equipes vão intensificar as buscas nos hospitais, que antes estavam sendo feitas de forma remota, mas, volta a ser presencial.

Fonte: G1 Acre.

Leia também

Receba nossas novidades

Av. Rodrigues Alves 60 – Centro – Cruzeiro do Sul AC.