Rio Branco, Acre, 24 de janeiro de 2021

Professor ‘adota’ jacaré de 1,5 metro, batiza de Tião e o alimenta há 5 anos em lago no AC: ‘reconhece minha voz’

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Redação Juruá em Tempo.
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A amizade inusitada entre o professor e mestre em psicologia Aldecino José e um jacaré de 1,5 metro tem chamado atenção em Rio Branco. É que ele costuma pescar na lagoa do Conjunto Universitário, mais conhecida como Pinicão, e alimentar o bicho há pelo menos 5 anos.

Apesar de a imagem viralizar somente agora, essa aproximação é antiga e foi lenta, segundo conta o professor. Desde que foi morar na região, Aldecino costuma pescar e foi aí que conheceu o jacaré, que recebeu o nome de Tião.

“Desde que foi feito o tratamento aqui o lago está limpo e nós, moradores, colocamos peixe para pescar por lazer. Lembro que o Tião era pequeno e começou a se aproximar. No início, eu colocava o peixe no anzol e ia chamando ele e só em 2018 ele começou a subir na calçada que fica ali na margem”, conta.

Assim que o professor chega para alimentá-lo, Tião sai da água e fica ao lado dele. Então, recebe comida e até carinho. “Ele deixa eu passar a mão na cabeça dele, pegar.”

Outra curiosidade é que a Mora, a cachorrinha de estimação do professor, também completa essa amizade. Desde que “adotou” o jacaré, ele leva a cachorra com ele e conta que os dois se dão bem.

“Ele não agride a cachorra e nem ele à ela. Costumo ir até três vezes na semana, depende da minha rotina. Quando tá muito corrido e não dá tempo de pescar, eu vou lá só para alimentá-lo. Levo restos ou miúdos de frango, já que essa espécie se alimenta de aves ou peixe”.

‘Reconhece minha voz’

Tião não é o único jacaré a habitar o lago que fica no bairro da capital, mas Aldecino garante que consegue reconhecê-lo. Além disso, o animal, em época de seca, costuma ir para um igarapé próximo à região e sumir por alguns meses.

“Ele é o maior do lago, por isso reconheço e também quando eu chego e chamo pelo nome, ele reconhece minha voz, só de chegar e chamar ele vem”, conta.

Mesmo com essa amizade, o professor diz que respeita o bicho e que não indica que outras pessoas se aproximem tanto dele.

“Até eu tenho medo de encostar muito, porque tem instinto, é animal, por mais que seja mais manso comigo, ainda é perigoso. Agora passar a mão, fazer carinho, eu faço”.

Amizade entre professor e jacaré chama atenção  — Foto: Reprodução

‘Respeito’

A bióloga Joseline Guimarães diz que realmente o jacaré é capaz de reconhecer o professor devido a esse contato durante os anos.

“Esta interação entre o professor e o jacaré é um treinamento usado para facilitar o manuseio do animal, provavelmente ele vai no mesmo horário, faz algum estímulo sonoro (chama o jacaré ou mexe na água) e em determinado local oferta o alimento. Com isso, ele condiciona o animal a estar no mesmo lugar para receber sua recompensa (alimento). Pela fotografia, observa-se que o jacaré está muito bem alimentado”, conta.

O Tião, segundo Joseline, é um jacaré-tinga, encontrado na América Central e do Sul, não ameaçada de extinção. “Habita riachos, lagos, pântanos, rios, lagoas, canais e estuários de água doce. A reprodução é ovípara e chega a colocar até 40 ovos. O animal ode chegar até 2,5 m de comprimento.”

A bióloga diz ainda que esse contato entre os dois serve de exemplo de como é possível respeitar a natureza e interagir com as espécies sem danos ao meio ambiente ou sem invadir o espaço do bicho.

“Demonstra que podemos coexistir com a fauna amazônica, com respeito a biologia e ao comportamento dos ecossistemas, sem alterações”, destaca.

O professor completa dizendo que achou legal a repercussão das imagens porque é uma forma de levantar a discussão sobre o respeito à natureza e aos animais sem precisar destruí-los.

“Graças a Deus nunca aconteceu nenhum acidente. Eu acho que, se isso valer como uma janela para se ver que a natureza tem que ser respeitada e que os animais precisam ser respeitados, é positivo. É uma forma de demonstrar que a gente pode conviver muito bem e que os animais são dóceis desde que sejamos dóceis com eles. Acho bacana a repercussão e não vejo maldade, vejo até como uma forma educativa”, finaliza.

  • Por Tácita Muniz, G1 AC.

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