Era final do ano passado, festas de fim de ano, quando o policial Derineudo de Souza decidiu que terminaria o ano fazendo mais uma ação social. Dessa vez ajudaria um vendedor de picolé por um dia em Rio Branco.
Coordenador do projeto Amigos Solidários no Acre, ele sempre está envolvido em ações sociais, mas esta foi diferente.
“Comentei com minha esposa que ajudaria um picolezeiro que estivesse precisando, não sabia ainda nem onde e nem como. Liguei para meu comandante para pedir autorização para fazer fardado, afinal represento uma instituição e fui para as ruas”, conta.
O primeiro que encontrou disse que vendia picolés porque gostava, mas que não necessitava muito da ajuda. Em seguida, ele encontrou Manoel Vieira, de 58 anos, encostado em uma árvore.
Ele se apresentou e disse que o ajudaria ele a vender picolés naquele dia. O vídeo, feito pela mulher do policial, mostra ele fazendo o mesmo percurso do vendedor e o ajudando. O vídeo postado no perfil do policial viralizou e foi parar em um página do Instagram que mostra boas ações pelo país.
“Foi um momento de troca de experiências mesmo. Gravamos o vídeo e um capitão da PM do Amazonas postou, alguém me marcou e fiz uma coisa que geralmente não faço; pedi que ele colocasse meu instagram na publicação para ver se conseguíamos algum tipo de ajuda”, contou.
E aí o vídeo ganhou a internet. Derineudo conta que chegou a ter mais de 600 seguidores em um dia só. Até que o dono do perfil Razões para Acreditar entrou em contato com o policial para que fosse aberta uma vaquinha e ajudar Manoel. Até a manhã deste domingo (21), haviam sido arrecadados R$ 75.315.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/c/D/GUXMIZTVSbQdr7UDuqLg/capturar.jpg)
‘Vai mudar minha vida’
Sem acreditar ainda em tudo que aconteceu, Manoel diz que foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida . Ele diz que trabalha vendendo picolé há quase 20 anos e que a atitude do policial o surpreendeu.
“Foi uma benção de Deus em primeiro lugar, vai mudar muito minha vida, se Deus quiser. Na minha vida vendendo picolé foi primeira vez que um policial chegou assim para me ajudar a vender comigo, até a gente fica meio acanhado”, conta.
Todos os dias, ele sai da sorveteria com os picolés e percorre cerca de 16 km, ida e volta, até o Centro de Rio Branco para vender os produtos. Morando sozinho e de aluguel, ele quer usar o dinheiro arrecadado para comprar uma casa.
“Pretendo sair do aluguel e isso me deixa muito feliz. Muito bom mesmo”, comemora.

