A Polícia Civil aguarda o resultado do laudo que deve indicar se o bebê Renan Emanuel, de apenas cinco meses, foi vítima de abuso sexual. Ele, que tinha síndrome de Down, deu entrada na UPA da Cidade do Povo, em Rio Branco, na quinta-feira (8), após sofrer parada cardíaca e não resistiu. A família nega o abuso.
Conforme o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), ao examinar o bebê, a médica plantonista constatou uma dilatação no canal anal, possivelmente fruto de abuso sexual e acionou a Polícia Militar.
Uma equipe da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) esteve na UPA para colher as primeiras informações. Segundo a delegada Juliana de Angelis, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o caso deve ser encaminhado para essa especializada caso seja comprovado o abuso sexual contra o menor.
“A Polícia Civil, por meio da DHPP já tomou as providências, encaminhou equipe ao local, fez encaminhamento para perícia e exames necessários e agora estamos aguardando o laudo técnico, o laudo pericial do IML para verificar se ficou comprovada a violência sexual contra esse bebê. Caso comprovada, a investigação vem para a Depca. Mas, até o primeiro momento, não tem como a gente confirmar. O laudo pericial demanda de 10 a 30 dias para ser concluído e com esse laudo em mãos é que a gente vai poder dar encaminhamento no inquérito”, afirmou Juliana.
O diretor do IML, Ítalo Vieira, disse que os exames ainda não ficaram prontos e que, portanto, não é possível dar informações sobre o caso. Ele confirmou que o prazo para sair o resultado do laudo é de 10 a 30 dias.
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Corpo do bebê foi levado para sede do IML para passar por exames — Foto: Reprodução/Ithamar Souza
Família nega
À polícia, os familiares foram questionados sobre a suspeita da médica e todos negaram que alguém havia feito algo com o bebê. A família informou ainda que mora em Plácido de Castro, no interior do Acre, e que chegou na capital na noite anterior para fazer exames na manhã de quinta.
No Instituto Médico Legal, a tia da criança, a dona de casa Fabiana Calado contou à equipe da Rede Amazônica que o menino estava com a avó o dia todo e, entre lágrimas, voltou a negar que ele tenha sofrido abuso sexual.
Ainda segundo a polícia, os familiares informaram à polícia que após uma vacina que o bebê tomou nessa quinta, ele ficou “diferente” e que acreditavam que poderia ter agravado seu quadro, uma vez que tinha síndrome de Down e cardiopatia.
A polícia questionou ainda quantas pessoas residem na casa em Plácido de Castro e a família relatou que, além do bebê, mais cinco pessoas, incluindo a mãe, pai, filhos e a avó. Eles disseram ainda à polícia que nenhum dos moradores tem histórico de abuso sexual ou passagem criminal. No conjunto Cidade do Povo, em Rio Branco, eles estavam hospedados na casa de uma parente.
A tia disse que o bebê tinha uma consulta com cardiologista na Função Hospitalar ainda na quinta, mas quando chegaram com ele no hospital, a médica não estava mais. Ao voltar para casa, eles perceberam que a criança estava mole e chorando bastante.
“Quando foi umas 18h ele começou a passar mal, e apagou. Minha tia me ligou dizendo ‘Fabiana vem aqui que o neném está passando mal’. Quando eu cheguei, peguei o bebê e saí correndo na rua com ele, quando cheguei na UPA, eles fizeram os procedimentos e depois a médica já veio com essa história de abuso. Ele não foi abusado. Ela disse que ele tinha dado uma parada cardíaca e depois veio com essa história de abuso, chamou até a polícia”, disse a tia.
Médica ficou em prantos, diz gerente
O gerente geral da UPA da Cidade do Povo, Calixto Ferreira chegou a contar que a médica que atendeu a criança ficou muito abalada depois de perceber o suposto abuso e entrou em prantos. A reportagem não conseguiu falar com a médica.
“A médica já estava saindo do plantão dela quando aconteceu essa situação. Os profissionais da nossa unidade fizeram o que estava ao alcance deles e quando a criança entrou em óbito, foram fazer os procedimentos de rotina e a médica foi examinar e quando chegou nas partes íntimas, ela percebeu que algo tinha acontecido, não estava normal. Aí, foi quando ela acionou a polícia. Conversei com a médica, uma profissional de excelente qualidade, dedicada, ela fez o que pode. Inclusive estava muito abalada emocionalmente, porque ela está querendo ser mãe. Ela estava em prantos, isso abalou muito ela”, contou o gerente.
Com informações G1 Acre

