Na CPI, reverendo chora e se arrepende: “Tenho culpa, sim”
O reverendo Amilton Gomes de Paula afirmou, nesta terça-feira (3/8), que “tem culpa, sim” nas supostas irregularidades envolvendo as negociações entre o Ministério da Saúde e a Davati Medical Supply para aquisição bilionária de doses de vacinas contra a Covid-19.
Depoente na CPI da Covid do Senado, o reverendo também é apontado como intermediário das tratativas entre o Ministério da Saúde e a Davati Medical Supply, que ofertou doses de vacinas ao governo federal. Ele foi provocado por senadores de oposição e da base aliada ao governo federal.
“Eu queria trazer vacina para o Brasil. Tenho culpa, sim. Peço desculpa ao Brasil, o que eu cometi não agradou aos olhos de Deus. Peço perdão aos senadores”, disse, emocionado.
Contradições
A oitiva do reverendo foi marcada por contradições. O depoente não soube explicar, por exemplo, as inúmeras diferenças entre os valores ofertados – ora pela Senah, ora pela Davati.
Segundo o religioso, a primeira proposta da empresa norte-americana era de US$ 3,50 e, posteriormente, passou para US$ 17,50. Por fim, a companhia teria ofertado as doses de vacina por US$ 11 cada.
A diferença de US$ 1 por unidade é justamente o mesmo valor da suposta propina que teria sido cobrada por Roberto Ferreira Dias nas tratativas entre a Senah, a Davati e o Ministério da Saúde.
Defesa
Após ficar horas fora do ar durante o depoimento de Amilton de Paula à CPI da Covid, a Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos (Senah) divulgou nota em defesa ao reverendo, que, segundo a ONG, se dispôs a cooperar apoiando o governo no esforço para a aquisição de vacinas no combate à Covid-19.
“Todas as denúncias serão devidamente esclarecidas no foro competente. Desde já agradecemos a todos aqueles que estão orando e pedindo a Deus por um mundo melhor!”, acrescentou.
Por Metrópoles