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Cruzeiro do Sul: 117 anos de luta por autonomia política e reconhecimento

Por Redação Juruá em Tempo. 28/09/2021 16:54 Atualizado em 28/09/2021 16:56
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Juiz e desembargador aposentado, o cruzeirense Arquilau de Castro Melo já teria o suficiente para estar no rol dos mais notáveis filhos do Juruá. Mas, em sua paixão pela história do Acre e de Cruzeiro do Sul, Arquilau foi mais além, se tornando uma das pessoas que mais conhece e guarda a história desta região.

Foi por sua iniciativa que o prédio do Antigo Fórum de Cruzeiro do Sul tornou-se um museu com peças que recordam dos primeiros tempos da cidade.

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Sentado em uma cadeira de 1910, um dos itens recuperados para o museu, Arquilau começa a desfiar seus conhecimentos sobre a peculiar história de Cruzeiro do Sul.

“Este o prédio mais antigo de pé do Acre. Não existe outro no estado”, conta, com o justificado orgulho de quem preservou para a posteridade a sede da primeira prefeitura de Cruzeiro do Sul e capital do departamento do Alto Juruá no início do século XX.

“O local é estratégico: daqui podia-se ver quem chegava pelo porto do rio e quem vinha da cidade”.
Se até hoje Cruzeiro do Sul ainda pode ser considerada como uma “simples cidade pequena do Acre”, é fato também que a cidade nasceu em 1904 sob o signo da grandeza. Tendo sido governador do Piauí e do Amazonas, Marechal Thaumaurgo de Azevedo projetou uma cidade ambiciosa: uma capital que ecoasse em meio à floresta os mais altos valores civilizatórios.

“Os planos originais incluíam biblioteca, parque, jardim botânico e até mesmo um planetário”, explica Arquilau.

Os recursos provenientes da época justificavam os sonhos altos do Marechal. A região do Juruá produzia a chamada borracha Acre fina, categoria utilizada na época para classificar o melhor látex produzido.

“O governo federal da época lucrou muito com a borracha, que era o segundo item de exportação do Brasil, depois do café. Mas como o Acre era um território, estes recursos não ficavam aqui. Marechal Thaumaturgo foi ao Rio de Janeiro, então capital federal, em busca de recursos para construção de coisas básicas como escolas e hospitais, mas nunca foi atendido, e por isso, nunca voltou dessa viagem”, conta Arquilau.

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A história de Cruzeiro do Sul começa com o sonho de grandeza de uma capital, mas a contínua perda de autonomia fez com que o plano ambicioso do marechal ficasse esquecido no tempo. “O Acre foi declarado território e a capital, Rio Branco, provocando a primeira revolta dos autonomistas, aqui no Juruá. Na época, Rio Branco ficava há 30 dias de viagem de Cruzeiro do Sul. A estrada era uma promessa distante. Como território, os prefeitos eram nomeados de fora, não havia continuidade nos trabalhos e nem criavam raízes. Eram em geral prefeitos derrotados de outras partes do Brasil ou militares descontentes. Tampouco havia recursos para fazer algo significativo”, explica.

A luta por autonomia política, contudo, nunca esmaeceu e serviu de inspiração para que os acreanos lutassem pela elevação do território à categoria de estado, o que ocorreu em 1962. “Acho que esse isolamento, essas dificuldades todas, fizeram de nós um poco muito criativo, um povo que “se vira”, criando soluções próprias e originais para os problemas que surgem.”

Quando perguntado sobre o que o olhar sobre o passado pode projetar sobre o futuro, Arquilau aponta para a Floresta, habitat da cidade de Cruzeiro do Sul. 
“Uma única espécie de árvore, a seringueira, foi responsável por gerar a riqueza com que Cruzeiro do Sul foi criada. A biodiversidade dessa região deve nos manter atentos para a possibilidades de novas riquezas nesta mesma Floresta, como fármacos e cosméticos por exemplo. Mas para isso é preciso haver pesquisa. Hoje destrói-se muito sem nem saber o que está sendo destruído”, finaliza.

Leandro Altheman – Juruá em Tempo 

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