Início / Versão completa
Acre

Mãe alega que escola no Acre recusou matricular o filho autista: ‘Foi uma dor horrível para mim’

Por Redação Jurua em Tempo 25/02/2022 16:59 Atualizado em 04/03/2022 08:31
Publicidade

A empresária Jamila Roysal, mãe de um menino com autismo severo, de 8 anos, denunciou ter sido impedida de matricular o filho em uma escola particular em Rio Branco. Segundo ela, a secretária confirmou várias vezes que tinha vaga, mas, após saber que menino era autista, foi falar com coordenadora e voltou dizendo que não tinha mais vaga.

Publicidade

Após não conseguir efetivar a matrícula do pequeno Luiz Henrique Roysal Lima, ela, que tem mais de 14 mil seguidores nas redes sociais, fez um desabafo em sua conta e o caso movimentou a internet esta semana.

A denúncia foi parar no Ministério Público na última quarta-feira (23). A empresária pediu que o nome da escola não fosse divulgado.

“Quem nos vê na rua nem imagina o quão difícil foi e ainda é até hoje nossa jornada com diagnóstico de autismo. E eu nem falo só do diagnóstico, que é duro de receber, e de superar, se é que uma mãe supera de verdade ou só decidi lutar. Sabe o que é o mais difícil? O preconceito, as pessoas. Eu ainda estou com nó na garganta desde de o último episódio e um dos mais agressivo que tivemos”, relatou ela na postagem.

Publicidade

Após não conseguir efetivar a matrícula, mãe fez desabafo em sua rede social — Foto: Reprodução

Vagas sumiram em minutos

A empresária contou ao g1 que foi até a escola, que fica perto da casa dela, no último dia 9 e que perguntou se tinha vaga para este ano letivo e foi informada que sim. A secretária ainda teria informado que tinha vagas tanto para o período da manhã como da tarde.

“Quando uma mãe de criança especial vai procurar escola, a primeira coisa que pergunta é se tem vaga. Cheguei na portaria, perguntei se tinha vaga para a 1ª série e ela disse que sim. Ainda perguntei se tinha vaga nos dois horários e ela afirmou que tinha. Mais perto de finalizar a conversa, ela já tinha me dado desconto para eu fazer a matrícula, estava toda animada e aí baixei a máscara para enxugar o suor e ela me reconheceu do Instagram. E então ela disse ‘mas, seu bebê é especial, né? Então vou ter que falar com a coordenadora’”, contou.

Até aí, a empresária disse que estava tudo bem, uma vez que é habitual ser apresentado ao coordenador da escola quando se diz que tem filho especial. Mas, após alguns minutos, a secretária voltou e disse que estava equivocada, que o sistema estava desatualizado e que não tinha vaga.

“Nesse momento, eu cai em prantos. Eu sempre brigo pelos direitos dele, mas nessa hora não tive muita ação e comecei a chorar muito. Pedi que ela não fizesse isso comigo, que tinha acabado de dizer que tinha três vagas. E ela disse que não podia fazer nada”

O pequeno Luiz Henrique já estudou tanto em escola pública como privada, mas com a chegada da pandemia, a mãe disse que teve tirar ele, porque o menino não conseguia acompanhar as aulas remotas. Após o caso de discriminação, ela disse que não foi procurada pela escola e que visitou outras instituições, mas que ainda não decidiu onde vai matriculá-lo.

“Foi uma dor horrível para mim, disse que era um crime, que não podiam fazer isso. Fui embora, passando muito mal, estacionei na esquina e fui vomitar. E quando olhei, a coordenadora fez um gesto como se fosse pra eu voltar, mas não voltei”, disse.

MP comentou postagem

Com a repercussão do caso, o Ministério Público do Acre chegou a comentar na postagem de Jamila dizendo que qualquer criança, adolescente ou adulto, tendo ou não deficiência, tem direito de estudar em escolas regulares, públicas ou provadas, recendo o atendimento pedagógico de que necessite.

O órgão orientou ainda que casos como esse devem ser denunciados ao MP-AC para que seja feita investigação e as devidas medidas sejam tomadas. A empresária disse que formalizou a denúncia no MP e que ainda está decidindo se vai levar o caso ao judiciário.

“Ninguém pode recusar matrícula a uma pessoa com deficiência em razão da deficiência, e tal atitude discriminatória pode configurar crime, além de ensejar ação civil criminal. Qualquer pessoa que se sentir prejudicada em razão desse tipo de discriminação deve procurar o Ministério Público do Estado do Acre”, diz o órgão.

Com informações G1 Acre

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.