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Brasil

A cada aumento de US$ 10 no petróleo, Petrobras ganha 11% em sua receita

Por Redação Juruá em Tempo. 11/03/2022 08:16
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A guerra entre Rússia e Ucrânia tem impulsionado o preço do petróleo para patamares acima de 100 dólares o barril, e vem beneficiando muitas petrolíferas internacionais. Mas isso era algo que até ontem estava tendo um efeito contrário para o caso da Petrobras. A tentativa do governo de conter novos aumentos estava gerando tensão nos investidores e fizeram as ações despencarem 7% na segunda-feira, 7, depois que o presidente Jair Bolsonaro deu declarações indicando que poderia intervir na política de preços da empresa. Mas os ânimos foram acalmados nesta quinta-feira, 10, após o anúncio de reajuste feito pela Petrobras, depois de quase dois meses desde o último. As ações, então, saltaram 6%.

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Um estudo realizado por Daniel Cobucci, analista do Banco do Brasil Investimentos, revela que a cada elevação de 10 dólares no Petróleo com o barril acima de 70 dólares, a petroleira registra um incremento médio de 11% nas receitas e de 8% no Ebitda. Com o barril do tipo brent a 110 dólares, a receita líquida da estatal pode ficar em 679,922 bilhões de reais no exercício de 2022, versus 444,7 bilhões de reais com o barril a 70 dólares. No patamar de 110 dólares/barril, também o Ebitda (lucro antes de juros, impostos e amortizações) alcançaria 237,4 bilhões de reais, o lucro por ação passa para 9,12 reais e a distribuição de dividendos aumenta para 25% em relação à ação.

Mas, para capturar esses ganhos, era necessário o repasse dos aumentos. Por isso, a notícia de reajuste agradou tanto os investidores. O último reajuste de preços aconteceu há quase 60 dias, em janeiro, e o mercado já o considerava defasado. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem da gasolina estava em uma média de 30% e a do diesel, de 40%. Com o aumento de 19% na gasolina e de 25% no diesel, o preço da gasolina nas refinarias passará de 3,25 reais para 3,86 reais por litro, e o diesel de 3,61 reais para 4,51 reais por litro.

Analistas dizem que o reajuste ainda não resolve a defasagem, que agora está por volta de 20% para a gasolina e de 19% para o diesel, o que ainda deve suscitar novos aumentos. Segundo a Abicom, o descompasso de preços inviabiliza as importações, podendo levar a um desabastecimento no mercado nacional. “Embora seja interessante para a Petrobras ver seu principal produto ter cotações mais elevadas, entendemos que acima de um determinado limite isso pode gerar consequências negativas como reação à manutenção da política de paridade internacional”, diz Cobucci.

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