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Após pedido da Justiça, adolescente que confessou ter matado tia a facadas no AC passa por avaliação psiquiátrica

Por Redação Jurua em Tempo 21/03/2022 15:33
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A adolescente de 14 anos apontada como a responsável pela morte da tia, Maria Antonieta de Souza Abreu, de 38 anos, passou por avaliação psiquiátrica na última sexta-feira (18) no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac), em Rio Branco.

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A medida foi tomada após um pedido do juiz Marcos Rafael Maciel de Souza, da Comarca de Feijó, cidade onde ocorreu o crime, no interior do Acre. O processo está em segredo de Justiça e a informação sobre a avaliação foi confirmada ao g1 pela direção do Hosmac.

O magistrado solicitou que o Instituto Sócio Educativo do Acre (ISE) que encaminhasse a adolescente para avaliação, que foi feita pela diretora do hospital, a médica psiquiatra Caroline Formiga. Conforme a direção, não é possível informar o teor da avaliação por conta do sigilo médico-paciente.

Polícia espera laudo

A Polícia Civil ainda aguarda o laudo da perícia feita no celular de um jovem que se relacionava com a adolescente de 14 anos. Esse laudo vai dizer se a adolescente teve ou não a ajuda de alguém para cometer o crime.

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Maria Antonieta foi morta a facadas e com golpes de panela de pressão na cidade de Feijó, interior do Acre. A tragédia familiar ocorreu no dia 24 de janeiro e chocou a cidade.

Mensagens de texto trocadas entre a menor e esse jovem apontam também que Maria Antonieta pode ter sido envenenada pela sobrinha antes da morte. Ela teria tomado veneno de rato.

O delegado responsável pelas investigações, Railson Ferreira, explicou, nesta segunda-feira (21), que falta apenas esse laudo para concluir o inquérito.

No início dos trabalhos investigativos, a polícia descobriu que a menor trocava mensagem com apenas uma pessoa, um jovem de 21 anos com quem ela se relacionava. Essa pessoa foi ouvida pelo delegado e liberada para aguardar as investigações em liberdade.

Envenenamento

A Polícia Civil soube do suposto veneno após olhar o celular da menor, quando ela já tinha sido levada para uma unidade socioeducativa do estado. Na época, ela falou que deu veneno para a tia, mas a quantidade foi pouca e ela iria matá-la.

“Não é suspeita, para mim, está confirmado. Só mandei o laudo por questão de protocolo. Têm as mensagens no celular dela e o veneno que apreendemos. Para mim, é 100% verdadeiro e ela omitiu. Como não tinha esse dado quando a ouvi, não tinha como confrontá-la. Quando ela foi para a unidade [centro socioeducativo], só vim ter conhecido [do veneno] depois. A gente não tinha tido tempo para olhar o material apreendido e quando foi no final da tarde me deparei com o celular e fui olhar. As mensagens têm tudo, que vai matar, que deu veneno. Dentro da bolsa estava o veneno”, destacou o delegado.

A menor foi apreendida pela Polícia Civil ainda na noite de 24 de janeiro, horas após o crime, e confessou ter matado a tia. Segundo as investigações, a adolescente primeiro rendeu o primo de 10 anos, desferiu golpes de faca contra ele, o trancou em um quarto e partiu para cima da tia. O menino ficou com ferimentos na região do pescoço.

Crime planejado

Após cometer o crime, a adolescente saiu de casa normalmente e cerca de uma hora depois se apresentou no quartel da polícia. O delegado afirmou que ela demonstrou frieza ao confirmar que tinha matado a tia.

Após o assassinato, a polícia achou um diário em que adolescente escrevia sobre morte, indicando a pretensão da menina.

“Ela conta com uma tranquilidade… Disse que não havia uma preparação. Sobre o diário que encontramos, ela disse que era porque ela cultua a morte, que gosta. Mas, acredito que havia, sim, um planejamento”, disse o delegado.

“Foram muitas facadas e ela bateu demais com a panela na cabeça da tia. A faca ficou cravada na vítima. Nunca tinha visto tanto sangue na minha vida. Ela disse que foi porque a tia pegava no pé dela, não deixava ela sair, não deixava namorar. Mas eu não acredito nisso”, completou Ferreira.

De acordo com o delegado, a vítima estava com dengue e isso pode ter facilitado que a adolescente tenha conseguido matá-la sozinha.

A adolescente estava dormindo na casa da tia havia alguns dias porque a mãe dela estava viajando. Ainda segundo o delegado, era uma família tranquila e que vivia em harmonia.

Menina disse que não se arrepende

Em depoimento na delegacia, a menina contou em detalhes como tudo aconteceu. Segundo o delegado, ela disse que desde que a mãe viajou ela passava o dia em casa e durante a noite ia dormir na casa da tia, que ficava bem na frente.

Cerca de duas horas antes de ir até a casa da tia, ela contou que começou a planejar o crime. Foi então que por volta das 18h foi para a casa da vítima já levando uma faca nas mãos. Ela disse que chegou, sentou com o primo para assistir televisão e, após um tempo, quando o menino foi até o quarto, ela o acompanhou e iniciou as agressões.

Primeiro, ela tentou conter o menino e foi quando acabou desferindo golpes de faca no pescoço dele. Em seguida, o amarrou com um cinto e o deixou trancado dentro do quarto. Como a faca que ela usou contra o primo quebrou, ela foi até a cozinha, pegou outra faca e se dirigiu ao quarto da tia, que estava deitada na cama de costas para a porta.

Após crime, menina deixou bilhete sujo de sangue na casa da tia — Foto: Arquivo/PC-AC

“Aproveitando que a tia não a viu, porque estava deitada, ela esfaqueou exatamente na região da jugular. Ela disse que não lembra quantos golpes deu em sequência. Elas entraram em luta corporal e então saíram do quarto e foram para a sala, continuaram brigando e depois foram para cozinha, onde jogaram cadeiras uma contra a outra. Até que em determinado momento, a vítima escorregou e a menina aproveitou e deu mais facadas e pegou uma panela de pressão e começou a golpear a cabeça da tia. A panela chegou a amassar com os golpes”, relatou o delegado na época do crime.

Após o crime, a menina chegou a deixar um bilhete sujo de sangue dizendo “Eu estive aqui” e com o desenho de um coração.

“Ela disse que não se arrepende, que a motivação seria porque não gostava da tia, que ela não a deixava sair, em que pese que as pessoas achavam que elas tinham uma boa relação. Ela disse que fez totalmente consciente, que quis matar a tia, que não se arrepende e faria tudo de novo.”

Família em choque

No dia seguinte ao crime, dia 25 de janeiro, uma das sobrinhas de Maria Antonieta conversou com o g1 e revelou o choque da família com o crime. Segundo a sobrinha da atendente, a menor nunca demonstrou raiva da tia, sempre foi tranquila, criada na igreja e só saía para ir para a escola.

A jovem relatou ainda que nunca percebeu nenhum comportamento estranho na prima.

“Sempre foi tranquila, [saía] de casa para a igreja ou para a escola. Sempre foi muito educada, inteligente e a família está bastante em choque dessa reação que ela teve. A mãe dela criou ela sem aquela liberdade de filho na rua, sem amizades, protegendo. A mãe dela foi fazer uma viagem e pediu para a tia Antonieta ficar responsável por ela. No que ganhou esse pouquinho de liberdade na casa da tia achou que poderia sair, começou a pedir para sair de noite e a tia estranhou”, lamentou.

Com informações G1 Acre

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