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Mourão diz ter “relação protocolar” com Bolsonaro, mas espera apoio

Por Redação Jurua em Tempo9 de março de 20225 Minutos de Leitura
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O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, em entrevista à coluna, ter chegado ao último ano do mandato numa “relação protocolar” com o presidente Jair Bolsonaro.

O general contou que Bolsonaro ainda não disse claramente, mas que já “subentendeu” que o presidente escolherá outro nome para ser seu candidato a vice neste ano.

A aposta de Mourão é que o atual chefe do Palácio do Planalto escolherá como companheiro de chapa o ministro da Defesa, o também general da reserva Braga Netto.

O atual vice-presidente confidenciou que Braga Netto já o procurou algumas vezes “preocupado” com especulações de que poderia estar “passando a perna” em Mourão, mas ressaltou ter tranquilizado o colega.

“Disse para ele: olha Braguinha, fica tranquilo aí, pô. Não esquenta a cabeça com isso. Quem o Bolsonaro escolher está bem escolhido. Segue o baile”, contou Mourão na entrevista, concedida na tarde dessa terça-feira (8/3).

Mesmo preterido, Mourão afirmou que apoiará a reeleição de Bolsonaro e ressaltou que, numa conversa recente, o presidente também prometeu apoiar sua candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul.

Ainda sobre o cenário eleitoral, o general classificou como “totalmente desproposital” a tese de que as Forças Armadas não aceitarão eventual vitória do ex-presidente Lula.

A seguir, alguns dos principais trechos da entrevista:

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula lideram as pesquisas. Acredita que ainda há espaço para algum candidato da chamada terceira via?

Hoje, o que se indica é que os dois candidatos são os que estão com mais capacidade de se apresentarem para um hipotético segundo turno. O presidente Bolsonaro vem recuperando terreno nessas últimas pesquisas, mas, face ao número de pessoas que dizem não votar nem em um nem no outro, sempre existe a possibilidade de aparecer alguém que empolgue esse eleitorado e, consequentemente, seja um terceiro candidato capaz de mudar o cenário. Mas hoje acho difícil.

As Forças Armadas vão respeitar uma eventual vitória do ex-presidente Lula? Há quem aposte na tese de que os militares não aceitarão.

Isso é algo totalmente desproposital. As Forças Armadas têm se mantido dentro dos limites dos deveres constitucionais dela, têm agido dessa forma ao longo de todo esse período, desde o término do período de presidentes militares. As Forças Armadas não se meteram em nenhum processo eleitoral. Fomos aí, ao longo de 12 anos, 13 anos, governados pela esquerda, pelo PT, sem problema nenhum.

Alguém do PT ou próximo do ex-presidente Lula já o procurou para tentar um diálogo?

Não, comigo não. Nada. Zero.

Bolsonaro já o comunicou oficialmente que o senhor não será o vice dele neste ano?

Eu subentendi. Porque preto no branco, ele nunca chegou, sentou comigo, como nós estamos conversando aqui, olho no olho e disse: não vai ser você, por isso, por isso, por isso. Subentendi pelas manifestações dele, por alguns comentários que ele me mandou algumas vezes pelo ‘zap’ (sic) e, na última vez, quando vieram aqui o Ciro Nogueira e o Flávio Bolsonaro, para que eu me definisse se iria pelo Rio. Quando o cara vem me dizer que é para eu me definir se é pelo Rio, é porque eu estou fora do… A mensagem estava bem clara.

Quem o senhor aposta que será o candidato a vice neste ano?

Os indícios mais fortes são de que o candidato a vice junto com o presidente Jair Bolsonaro seria o Braga Netto.

Já conversou com o Braga Netto sobre o assunto?

Não. Nunca toquei nesse assunto. Ele já esteve aqui algumas vezes meio preocupado, por causa das, vamos dizer assim, notícias que são publicadas. De eu achar que ele estaria me passando a perna, alguma coisa do gênero. Eu disse para ele: olha Braguinha, fica tranquilo aí, pô. Não esquenta a cabeça com isso. Quem o Bolsonaro escolher está bem escolhido. Segue o baile, pô.

Acredita que Braga Netto o substituirá à altura?

Até melhor. (Risos)

Há quem diga que o Braga Netto não tem traquejo político…

Isso tudo a gente aprende.

Como o senhor define sua relação com o presidente Jair Bolsonaro neste último ano de mandato?

Uma relação, vamos dizer assim, protocolar. Nossa relação é protocolar. Ele é presidente, eu sou vice-presidente. Procuro executar as tarefas que ele me dá, como essa tarefa que ele me deu de ir ao Chile (para a posse do novo presidente eleito, Gabriel Boric, nesta semana). Ele tem meu apoio no projeto de reeleição dele, e eu também espero contar com o apoio dele no meu projeto de ser eleito senador.

Já pediu esse apoio a ele?

Falei, falei com ele. Ele disse que vai. Vai posar na foto. Está combinado isso aí.

Com qual candidato a governador do Rio Grande do Sul o senhor comporá chapa: com o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) ou com o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni?

Estamos tendo conversas necessárias. Vamos lembrar que, a partir do momento que vou ingressar num partido, não vai depender única e exclusivamente do meu desejo. Vamos ter que ver a política partidária e a quem o partido irá se aliar.

O senhor tem alguma preferência entre os dois?

Não é questão de ter preferência. O que vejo hoje é o seguinte: os dois candidatos têm que se acertar. Porque, se nós queremos vencer a eleição no Rio Grande do Sul, é necessário que haja apenas um candidato. Se ficarem os dois, vamos dividir os votos, e vai favorecer a oposição.

 

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