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Com a plantação de mais de 105,3 mil mudas, projeto recupera 66 hectares de áreas degradadas no AC e fortalece sistemas agroflorestais

Por Redação Juruá em Tempo. 28/04/2022 09:48
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Unir preservação e economia dentro de comunidades rurais que ocupam áreas de proteção ambiental tem sido um dos principais desafios de ONGs e entidades que trabalham nesse setor. E foi pensando nisso que a SOS Amazônia criou o projeto “Faça Florescer Floresta”, que recuperou, só no ano passado, 66 hectares de áreas degradadas com o plantio de mais de 105 mil árvores no modelo de sistemas agroflorestais, ou seja, o plantio consorciado de espécies florestais, frutíferas e de palmeiras, que depois integram à paisagem original.

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De acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do órgão, que monitora a região com imagens de satélites, 889 km² de mata nativa foram destruídos de janeiro a dezembro do ano passado no estado acreano, o que equivale a 90 mil campos de futebol.

A devastação em 2021 foi 28% maior que no ano anterior, quando 694 km² de floresta foram destruídos e o desmatamento no Acre já havia registrado a maior área desde 2012, aponta o instituto.

Inclusive, em agosto do ano passado, com o avanço não só das queimadas, como dos incêndios florestais, Sonaira da Silva, que é engenheira agrônoma e doutora em ciências florestais tropicais e uma das principais pesquisadoras do fogo na Amazônia Sul Ocidental, disse em entrevista ao g1 que era necessário criar estratégias para que alternativas cheguem até às pessoas que usam a terra. Segundo ela, essa é a única forma de começar a mudar este cenário a longo prazo.

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“Falta fortalecimento de políticas públicas do estado de forma ampla, porque as queimadas eram tidas só como problemas ambientais, mas a queimada é um problema que aponta falta de gerência agrícola, se tem órgãos envolvidos em diversos estudos, como melhorias de pastagem, genética e outras práticas, isso precisa chegar aos agricultores. Porque, se ele não recebe essa assistência, vai continuar usando o que sempre usou e dá certo, que é o fogo. Só que o clima mudou e o que faziam no passado vai piorando e traz outros prejuízos para todos”, destacou na época.

E é justamente esse ponto que a SOS Amazônia trabalha, a capacitação dessas famílias que vivem nessas comunidades. Com apoio não só técnico, cria-se uma nova forma desse produtor usar sua terra. Em cada comunidade escolhida trabalha em cima do seu potencial econômico e então em cada região é plantada a espécie de interesse econômico daquela família de produtores.

Sistema agroflorestal

Em todo o processo as comunidades são envolvidas, desde a produção de mudas até à comercialização dos produtos gerados, assim gerando renda e também proporcionando a preservação do espaço, como explica o coordenador de projetos da SOS Amazônia, Adair Duarte .

“A gente presta uma assessoria técnica com as oficinas de capacitação, trabalhamos com a construção de viveiros comunitários para esse processo de plantação de mudas; fornecimento de insumos para as famílias; produção de mudas, semente de leguminosas que são plantadas nessas áreas para serem recuperadas, para ficarem mais férteis. As famílias também recebem kit de ferramenta para trabalharem com plantio e manejo nessa área, além de todo acompanhamento técnico para que essas plantas, mudas de árvores, se desenvolvam da forma correta”, destaca.

Este projeto em específico atende Mâncio Lima; Rodrigues Alves; Sena Madureira, na Resex Cazumbá-Iracema; Resex Chico Mendes; Epitaciolândia, Tarauacá, e tem o apoio de parceiro que doam na plataforma da ONG.

“Como temos um trabalho com as cooperativas com cadeias de produto da sociobiodiversidade, a gente tem, nos últimos anos, incentivado a restauração florestal com o uso do consórcio de espécies florestais e frutíferas para também recuperar essas áreas que já foram desmatadas no passado dessas famílias”, pontua.

Os números desse projeto são:

  • 66 hectares em processo de recuperação;
  • 105.320 mudas produzidas e plantadas – sendo 58.140 de espécies florestais e 47.180 de espécies frutíferas;
  • 7 oficinas de produção de mudas florestais e frutíferas, com 136 pessoas capacitadas;
  • 590 visitas de assistência técnica e extensão rural e florestal;
  • 110 novas áreas georreferenciadas para ações de reflorestamento;
  • 9 oficinas de implantação de sistemas agroflorestais – com 168 pessoas capacitadas
  • 175 famílias beneficiadas com o projeto

“Os sistemas agroflorestais no primeiro e segundo ano são uma área muito dinâmica nesse processo produtivo porque as mudas estão pequenas. Elas precisam de uma certa proteção por conta do nosso verão amazônico , então trabalhamos com as famílias, nesses primeiros dois anos, enquanto as mudas se desenvolvem, outras atividades da agricultura familiar para garantir também a segurança alimentar da família e o excedente ser comercializado. Então nessa área a família planta outras espécies da agricultura familiar que é utilizado para a família, mas pode comercializar em feiras locais ou programa nacional de merenda escola, em que é necessário ter esses produtos na rede pública de ensino”, explica o coordenador.

Assim, o projeto trabalha não só a economia da comunidade, mas também a recuperação de áreas desmatadas.

“Nos dois primeiros anos, a gente incentiva a família a cuidar da área porque se ela não está vendo uma atividade que vai, a curto prazo, gerar renda, dar um retorno para a alimentação da família, ela fica desestimulada a cuidar daquela área. Então, é uma estratégia que a gente usa para aumentar esses cuidados, para que a família cuide dessa área e tenha também o benefício depois”.

  • Fonte: g1 Acre.
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