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Inflação dispara com combustível alto e já passa de 11% em doze meses

Por Redação Juruá em Tempo.8 de abril de 20223 Minutos de Leitura
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O dragão da inflação continua a mostrar suas garras. Em março, o indicador acelerou para 1,62% em março, após ficar em 1,01% em fevereiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 8, esse foi o maior resultado para o mês de março desde 1994 (42,75%), antes da implantação do Real, e também está acima da expectativa do mercado financeiro, que projetava uma alta de 1,35% no mês. O indicador agora acumula alta de 3,2% no ano e, nos últimos doze meses, de 11,30%, acima dos 10,54% observados nos doze meses imediatamente anteriores e dos 10,06% registrados em 2021.

Segundo o IBGE, as altas nos transportes (3,02%) e nos alimentos (2,42%) foram determinantes para a aceleração dos preços no mês. Os dois grupos têm o principal peso na cesta de inflação do IBGE, então as variações neles tendem a puxar o peso para cima. No mês, a alta do preço das commodities de energia e de grãos — muito influenciadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia, puxou o resultado. Vale lembrar que a meta para inflação neste ano é de 3,50% e só nos primeiros três meses do ano, o acumulado chega próximo deste patamar.

“Tivemos um reajuste de 18,77% no preço médio da gasolina vendida pela Petrobras para as distribuidoras, no dia 11 de março. Houve também altas nos preços do gás veicular, do etanol e do óleo diesel. Além dos combustíveis, outros componentes ajudam a explicar a alta nesse grupo, como o transporte por aplicativo e o conserto de automóvel. Nos transportes públicos, tivemos também reajustes nas passagens dos ônibus urbanos em Curitiba, São Luís, Recife e Belém”, detalha o gerente do IPCA, Pedro Kislanov. A alta dos combustíveis, inclusive, abriu uma crise no comando da Petrobras. Contrário ao reajuste em ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro demitiu o general Joaquim Silva e Luna. Em abril, o ex-secretário de Minas e Energia, José Mauro Ferreira Coelho deve assumir o posto após o economista Adriano Pires, convidado pelo governo, declinar da posição.

No grupo dos alimentos e bebidas, a alta de 2,42% decorre, principalmente, dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (3,09%). A maior contribuição foi do tomate, cujos preços subiram 27,22% em março. A cenoura avançou 31,47% e já acumula alta de 166,17% em 12 meses. Também subiram os preços do leite longa vida (9,34%), do óleo de soja (8,99%), das frutas (6,39%) e do pão francês (2,97%). “Foi uma alta disseminada nos preços. Vários alimentos sofreram uma pressão inflacionária. Isso aconteceu por questões específicas de cada alimento, principalmente fatores climáticos, mas também está relacionado ao custo do frete. O aumento nos preços dos combustíveis acaba refletindo em outros produtos da economia, entre eles, os alimentos”, analisa Pedro Kislanov.

O grupo habitação (1,15%) teve aumento por conta do gás de botijão (6,57%), cujos preços subiram devido ao reajuste de 16,06% no preço médio de venda para as distribuidoras, em março. A alta de 1,08% da energia elétrica também contribuiu para o resultado do grupo, principalmente por causa do reajustes de 15,58% e 17,30% nas tarifas de duas concessionárias de energia no Rio de Janeiro.

Em março, também houve aceleração nos preços dos grupos vestuário (1,82%) e saúde e cuidados pessoais (0,88%). O único com queda foi comunicação, com -0,05%. Os demais ficaram entre o 0,15% de educação e o 0,59% de despesas pessoais.

  • Fonte: Veja Abril.
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