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Ponte do Madeira reduziu custos, mas nada mudou no bolso dos pobres no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.15 de abril de 20223 Minutos de Leitura
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Inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente Jair Bolsonaro, a ponte sobre o Rio Madeira, em Abunã, no Estado de Rondônia, trouxe de fato redução no tempo das viagens pela BR-364, porém, os impactos econômicos ainda não são sentidos pela sociedade acreana, especialmente os mais pobres.

A chamada Ponte do Abunã, disse o governo federal no começo de maio de 2021, “conecta o Acre ao sistema rodoviário brasileiro e permite o escoamento de produção das regiões Norte e Centro-Oeste, principalmente de soja. A estrutura de concreto e aço tem 1.517 metros de extensão e recebeu investimentos de mais de R$ 160 milhões. A previsão é que mais de 2 mil veículos cruzem a ponte todos os dias”.

Sobretudo, o presidente Jair Bolsonaro chegou a projetar queda de 5% no custo do frete para o Acre. O ac24horas consultou o sindicato das empresas de transporte de carga, mas não obteve resposta. É possível saber, no entanto, que ao menos o preço da passagem de ônibus subiu ao invés de estabilizar ou cair -mas, ao mesmo tempo, especialistas concordam que ocorreram benefícios econômicos, mas estes foram consumidos pela inflação.

“Sim, houve uma redução do custo do frete com a ponte do Rio Madeira. Contudo, essa redução não está sendo percebida pelo mercado consumidor, apesar de refletir uma parte pequena do custo total do frete. Essa redução se dá por conta do menor consumo de combustível, apesar do mesmo estar com o preço elevado e pela extinção do custo do frete fluvial, pago por conta da travessia do Madeira”, disse Egídio Garó, consultor da Federação do Comércio do Acre.

O especialista leva em consideração um custo médio de frete fracionado, em torno de R$ 3 mil e, considera também que o valor da passagem de uma carreta bi-trem pela ponte custava, em maio do ano passado, R$270 e, um seguro fluvial de aproximadamente R$ 2,5 mil por carga. Fracionado, dependendo da carga, é bem menor. “Portanto, se a carga foi consolidada fracionada, a redução de todo o custo com a travessia e o seguro fluvial, poderíamos considerar uma redução entre 5% e 7%, o que acaba sendo consumido pelo preço dos combustíveis. Daí os produtos chegarem para o consumo no mesmo preço, senão mais caros, do que os observados antes do início do tráfego”, observa o consultor.

Segundo o IBGE, nos últimos doze meses a inflação em Rio Branco acumula alta de mais de 14%, puxada exatamente pelos combustíveis.

As plataformas especializadas explicam que o custo de frete é o valor acordado entre o embarcador e a transportadora e serve para cobrir os gastos de movimentar a carga da origem até o destino. O valor total é formado com base em diversas variáveis, negociadas antes de firmar o contrato.

Doutor em Economia e pesquisador da Universidade Federal do Acre, o professor Rubiclei Silva é incisivo sobre os impactos econômicos da Ponte do Abunã: “Não mudou nada”, diz, ressaltando também que possíveis ganhos foram consumidos pelas perdas -além disso, os ganhos são praticamente irrisórios e se dão principalmente pelo fim do seguro das carretas e redução do tempo de travessia.

A ponte realizou o sonho de se livrar das balsas e viajar do Acre a Rondônia pela BR 364 agora é bem mais rápido, mas os resultados econômicos ainda são lembrança nos discursos empolgados das autoridades.

  • Fonte: AC24horas.
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