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sábado, junho 25, 2022

Rússia anuncia cessar-fogo para retirar civis de siderúrgica em Mariupol

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O Ministério da Defesa da Rússia anunciou nesta segunda-feira, 25, um cessar-fogo em torno da siderúrgica Azovstal, em Mariupol, na Ucrânia. O objetivo é permitir a retirada de civis do complexo, que tornou-se uma fortaleza da resistência ucraniana na cidade portuária.

Segundo comunicado da pasta, o exército russo “vai interromper unilateralmente quaisquer hostilidades, afastar unidades [militares] a uma distância segura e garantir a retirada de civis” a partir das 14h (horário de Moscou, 8h de Brasília) nesta segunda-feira.

A gigantesca usina siderúrgica, que possui um labirinto de túneis subterrâneos, tornou-se o último baluarte da resistência ucraniana na estratégica cidade portuária do Mar de Azov. Soldados ucranianos recusaram-se a entregar Mariupol, apesar de estarem cercados por forças russas.

Autoridades ucranianas disseram que até 1.000 civis se abrigaram lá e pediram repetidamente à Rússia que permitisse uma saída segura a todos.

O Ministério da Defesa russo disse que qualquer civil preso na instalação pode sair em qualquer direção que escolher, acrescentando que o lado ucraniano deve mostrar “prontidão” para iniciar os corredores humanitários “levantando bandeiras brancas” em Azovstal. De acordo com o ministério, esta informação será comunicada às pessoas dentro da Azovstal via rádio a cada 30 minutos.

A Rússia alegou na semana passada que havia “libertado” Mariupol, quando o presidente Vladimir Putin ordenou o fechamento de todas as rotas para fora da fábrica. Segundo analistas, a medida efetivamente condenou à morte quem estava dentro de Azovstal.

“Não há necessidade de entrar nessas catacumbas e rastejar no subsolo através da fábrica. Bloqueiem a área industrial para que nem mesmo uma mosca possa escapar”, disse Putin.

Há pelo menos 500 soldados feridos dentro da fábrica que precisam de medicamentos e cirurgias, incluindo amputações, enquanto vários civis idosos também precisam de tratamento urgente. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia disse que há escassez de comida, água e medicamentos essenciais.

Na quinta-feira 21, três ônibus escolares levaram refugiados de Mariupol à cidade de Zaporizhzhia. O objetivo da Ucrânia era retirar muito mais civis da região e acusou a Rússia de atacar uma rota usada por civis em fuga.

“Pedimos desculpas ao povo de Mariupol que esperou, sem resultado, pela evacuação”, disse a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshuk, no Telegram. “Começou um bombardeio perto do ponto de coleta, o que nos obrigou a fechar o corredor humanitário.”

Mariupol era uma metrópole movimentada, casa de 400.000 pessoas antes da invasão da Rússia no final de fevereiro, mas foi totalmente destruída por oito semanas de bombardeio constante. O prefeito da cidade, Vadym Boichenko, disse no início de abril que mais de 90% da infraestrutura do centro urbano foi danificada, sendo 40% “irrecuperável”.

Mariupol é a maior cidade ucraniana no Mar de Azov e o principal porto que serve as indústrias e a agricultura do leste da Ucrânia. Devido à importância estratégica do porto, tornou-se alvo de alta prioridade desde os primeiros dias de guerra. Também era a maior cidade controlada pelas autoridades ucranianas em Luhansk ou Donetsk – as duas províncias da região de Donbas, que Moscou exigiu que a Ucrânia cedesse aos separatistas pró-Rússia.

Com o controle de Mariupol, a Rússia passa a comandar toda a costa do Mar de Azov e cria uma ponte terrestre para a península da Crimeia, que Moscou anexou em 2014. Ou seja, a cidade liga dois dos principais eixos da invasão da Rússia e libera o exército para se deslocar para o leste da Ucrânia, onde está sendo travada a principal ofensiva contra o exército ucraniano.

Putin espera poder anunciar a conquista de Mariupol no Dia da Vitória da Rússia, em 9 de maio, que comemora a derrota nazista na Segunda Guerra Mundial.

Investigações sobre crimes de guerra na cidade estão em andamento. Dois ataques – um em uma maternidade e outro em um teatro, onde centenas de civis se escondiam na época – estão em foco. Segundo o prefeito da cidade, mais de 10.000 civis morreram desde o início dos ataques.

  • Fonte: Veja Abril.
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