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Agronegócio tem desempenho negativo de geração de empregos. A culpa é da ‘Florestania’?

Por Redação Juruá em Tempo. 05/05/2022 09:49
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Segundo dados do CAGED, o país gerou 136 mil empregos formais entre fevereiro e março.

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A maior parte, no total de 111.513 novos empregos, foi gerada no setor de serviços, distribuído principalmente nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. O setor de construção civil foi o segundo que gerou mais empregos em março, com saldo positivo de 25.059 postos de trabalho, seguido pela indústria (15.260 novos empregos) e comércio, com saldo de 352.

O SETOR DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, PRODUÇÃO FLORESTAL, PESCA E AQUICULTURA TEVE SALDO NEGATIVO DE GERAÇÃO DE EMPREGOS, COM 15.995 DESLIGAMENTOS A MAIS DO QUE CONTRATAÇÕES.

Ou seja, além de ser o setor que menos gera empregos formais, é também aquele que mais demite e desemprega.

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No Acre, o governo do estado comemorou o saldo positivo de novos empregos: 762. A matéria da Agência de Notícias ainda se ufanou de o Acre estar em ‘os melhores da região norte’ – ou seja, acima de Roraima e Amapá.

Mas, voltando ao Caged, mais uma vez o saldo positivo se deve sobretudo aos setores de serviços e construção civil. O agronegócio, depois de ter gerado a incrível marca de 18 empregos em janeiro, e 12 em fevereiro, demitiu 25 em março. Total: cinco novos empregos em 2022. O setor de comércio também teve saldo negativo: 34 empregos a menos. Nesse caso mais fácil de entender levando em consideração a sazonalidade de contratações de fim de ano e férias.

Enquanto isso, o setor de serviços gerou 509 empregos no Acre, e a constrição civil 293. A indústria, apenas 19. Comércio e agronegócio tiveram desempenho negativo no mês.

Riqueza para poucos

Em todo país já começam a surgir vozes, principalmente ligadas ao setor industrial, que falam sobre o fraco desempenho do agronegócio na geração de empregos. Todo aquele ufanismo em torno do potencial das exportações brasileiras, não significaram a mesma proporção de brasileiros empregados. Ou seja, o agronegócio gerou muita riqueza, mas essa riqueza é cada vez menos usufruída pelos brasileiros. Os excelentes índices de produtividade por exemplo, da soja, da carne bovina, ou da avicultura, não significam o acesso a esses produtos na mesa do brasileiro. Pelo contrário: a alta das comodities tem significado inflação e perda do poder de compra.

A Culpa é da ‘Florestania’?

Lugar-comum da política é achar culpados em gestões anteriores pelos fracassos atuais. É fato que erros cometidos no passado ecoam no presente, mas é preciso ter cuidado exagerar na dose e acabar cometendo no presente, erros que irão comprometer nosso futuro.

No Acre virou slogan fácil de campanha culpar a ‘Florestania’ pelo baixo desempenho econômico do estado. Mas em que medida isso se justifica?

O que foi de fato a ‘Florestania’?

O conceito se refere a levar cidadania para as pessoas que vivem na floresta, sem que estas tenham que se mudar para a cidade para ter acesso à saúde, educação, direitos básicos e etc. Nesse sentido, a Florestania tem sido um sucesso. Mesmo que hoje o termo não seja empregado, é o que de fato vêm fazendo o governo estadual, as prefeituras, os órgãos de justiça, quando realizam ações itinerantes. É uma forma de ‘Florestania’, por exemplo, levar o gerente do banco para apresentar programas de financiamento para pequenos agricultores no interior da floresta.

O segundo aspecto que é lembrado como ‘Florestania’ foi a aposta no setor extrativista. Pois bem: borracha, castanha, madeira e óleos vegetais são setores que hoje movimentam a economia do estado e alimentam uma incipiente, porém significativa, indústria de transformação. Mesmo não dispondo de dados específicos, é de se supor que todos esses setores juntos empreguem mais do que a soja no estado.

O terceiro aspecto da ‘Florestania’ foi a ação de fiscalização dos órgãos ambientais sobre a atividade rural. Pois bem, é verdade que os governos do PT intensificaram as ações de fiscalização na zona rural, dificultando, por exemplo as queimadas e extração ilegal de madeira. Contudo, é preciso que se digam duas coisas: a primeira, que o governo do estado se punha a cumprir leis federais, que foram alteradas (abrandadas) a partir de 2012 com a implantação do novo Código Florestal, de autoria do então deputado federal Aldo Rebelo, visando sobretudo, facilitar a atividade dos pequenos e médios agricultores da Amazônia.

O segundo ponto é que a fiscalização do cumprimento das leis ambientais era parte da garantia que o estado dava aos principais órgãos financiadores: BID, BNDES, Banco Mundial. Ou seja, o que o estado supostamente ‘perdeu’ ao dificultar práticas arcaicas de agricultura, ganhou em investimentos na infra-estrutura, aquele que não por acaso, foi o que mais empregou e movimentou a economia do estado.

Não se trata aqui de fazer uma defesa apaixonada dos governos anteriores, mas de buscar elevar esse debate sobre a economia do estado e geração de empregos, algo que diz respeito a todos os acreanos, e buscar soluções concretas e realistas para o problema da falta de emprego.

Pelos próprios dados do Caged, fica evidente que, embora o setor de agronegócio seja importante para gerar divisas para o estado e país, sozinho é incapaz de empregar e tornar possível que as pessoas usufruam dessa riqueza. Para tanto, é preciso olhar com mais atenção para os setores de indústria (incluindo a indústria de construção civil) e serviços que são efetivamente quem emprega no país.

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