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quinta-feira, junho 30, 2022

Beber ‘esquenta’ o corpo? Entenda o que o álcool provoca e os riscos

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Com as temperaturas geladas recordes que várias cidades no Brasil têm registrado, é comum abrir um vinho ou um destilado para tentar se aquecer.

Mas qual o efeito que o álcool tem na regulação e percepção do frio pelo nosso corpo? E o que acontece no nosso organismo quando esfria?

“O álcool é um depressor do sistema nervoso central. A gente às vezes não percebe isso, pelo menos nas primeiras doses”, explica o médico Paulo Zogaib, especialista em Medicina do Esporte do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“Quando ele dá uma ligeira deprimida no cérebro, na verdade ele está deprimindo, ou inibindo, as nossas inibições. Por isso que a gente fica mais alegre, mais comunicativo”, completa. É o que costuma acontecer quando tomamos uma bebida em casa ou em outro ambiente aquecido.

O problema começa quando grandes quantidades de bebida são ingeridas e a pessoa está exposta ao frio, sem proteção, e usa o álcool na tentativa de se aquecer. É algo que pode acontecer, por exemplo, com as pessoas em situação de rua, lembra o médico Carlos Eduardo Pompilio, clínico geral do Hospital Universitário e do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

“Por que o álcool alivia os sintomas do frio? Primeiro, o álcool é extremamente calórico – então, você está recebendo uma quantidade de etanol que vai ser convertida em energia pelo fígado”, explica o especialista.

O segundo ponto, diz Pompilio, é que o álcool provoca a dilatação dos vasos sanguíneos – quando eles deveriam estar contraídos, para preservar o calor do corpo (veja detalhes abaixo).

“O álcool diminui a resposta ao frio, aquele desconforto que a gente tem, então você fica menos desconfortável. Ou seja, passa a tolerar mais o frio. Esse é o perigo. Porque, para tolerar mais o frio, você passa a beber mais, e bebendo mais você vai perdendo a consciência – e você perde a capacidade de reagir ao frio”, completa o médico.

À medida que essa capacidade de reação vai diminuindo, a chance de a pessoa morrer de frio – por hipotermia – aumenta.

“Sua temperatura cai: a tendência é de você ficar torporoso, sonolento, você vai perdendo a capacidade de reagir. Vai perdendo mais calor. Eu cheguei a pegar pacientes com 33ºC, 32ºC [de temperatura corporal], de a gente precisar fazer um buraquinho na barriga e jogar soro quente”, relata Pompilio.

Como o nosso corpo precisa de temperaturas próximas de 37ºC para manter o metabolismo funcionando, ele vai “desligando” aos poucos quando esfria muito.

“O coração passa a bater muito devagar. A pessoa entra em coma, a glicose despenca. Tudo vai parando de funcionar. Às vezes o coração bate tão devagar que você acha que está parado”, completa o médico da USP.

Nesta onda de frio, ao menos duas mortes foram registradas no estado de São Paulo nos últimos dias. Na quarta-feira (18), quando a capital paulista registrou 6,6ºC – temperatura mais baixa para maio desde 1990 –, Isaías de Faria, de 66 anos, faleceu em um centro de convivência municipal depois de passar a madrugada na rua.

No mesmo dia, um homem em situação de rua, que não foi identificado, foi encontrado morto em Mauá, na Grande São Paulo, que registrou mínima de 10ºC.

Efeitos do frio no corpo

A morte por hipotermia é, claro, um efeito extremo que a baixa temperatura pode causar no nosso organismo. Antes disso, o frio traz várias consequências para o corpo. Veja algumas delas abaixo:

  1. Vasos sanguíneos se contraem
  2. Mãos e pés gelados
  3. Pele se arrepia
  4. Tremores
  5. Fome
  6. Sono
  7. Alergias e vírus
  8. Mais xixi
  9. Mais chance de AVC e infarto
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