O corpo de Gabriel Antônio Manoares da Silva, de 21 anos, encontrado morto na segunda-feira, 20, permaneceu por horas na Unidade Mista de Saúde de Manoel Urbano, no interior do Acre, sem recolhimento pelo Instituto Médico Legal (IML), situação que gerou revolta entre familiares.
Imagens registradas na manhã de terça-feira, 21, mostram o corpo ainda na unidade de saúde em meio a condições consideradas inadequadas pelos familiares, com presença de insetos, forte mau cheiro e urubus sobrevoando o local.
“A gente tá aqui no hospital, a família toda aguardando o IML. Já é 10 horas da manhã e o corpo tá com bastante varejeira, um mau cheiro horrível. E o tanto de urubu voando aqui em cima do hospital e nada desse IML chegar”, relatou uma familiar em vídeo.
Em outro registro, a família reclama da falta de informações. “A situação que se encontra o corpo do meu sobrinho. A gente não tem resposta de ninguém. A delegacia estava fechada, e o corpo está aqui desse jeito”, afirmou.
Segundo os relatos, o corpo estava dentro de um saco sobre uma maca, com sangue no chão da sala. A porta do ambiente não fechava, o que permitia a aproximação de urubus e insetos. Familiares também afirmaram que chegaram ao local por volta das 7h e passaram a vigiar o corpo diante da situação.
Desaparecimento e buscas
Gabriel estava desaparecido desde a madrugada de sábado, 18. De acordo com a família, ele consumia bebida alcoólica quando apresentou um suposto surto psicótico, passando a correr pelas ruas, subir em telhados e pular muros.
Testemunhas relataram que o jovem foi visto pela última vez nas proximidades do rio, após descer em direção a um porto. Ainda no domingo, 19, familiares iniciaram buscas e tentaram registrar ocorrência, mas a delegacia do município estava fechada naquele momento.
O boletim foi registrado na madrugada de segunda-feira, 20. No mesmo dia à tarde, o corpo foi encontrado por um morador em uma área próxima ao rio e levado até a margem, quando a família foi avisada.
Demora no recolhimento
Após a localização, o corpo foi encaminhado para a Unidade Mista de Saúde, onde permaneceu até a manhã de terça-feira, 21. Segundo familiares, havia a informação de que o IML chegaria ainda na noite de segunda, o que não ocorreu.
O recolhimento só foi feito por volta das 11h de terça-feira, quando uma equipe do IML de Rio Branco chegou ao município e levou o corpo para a capital, onde serão realizados os exames para identificar a causa da morte.
O que diz o IML
Em nota, o Instituto Médico Legal informou que houve uma alteração na escala de atendimento da regional responsável por Manoel Urbano, mas a mudança não foi comunicada à direção do órgão em Rio Branco.
O IML afirmou que tomou conhecimento do caso por volta das 23h de segunda-feira e iniciou os procedimentos para remoção do corpo. O órgão também destacou que a distância de mais de 230 quilômetros entre Manoel Urbano e a capital exige logística específica, o que pode impactar o tempo de resposta.
Ainda segundo o instituto, apesar da situação registrada, não houve prejuízo ao corpo nem à perícia que será realizada.

