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quinta-feira, junho 30, 2022

Fórum sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes acontece em Cruzeiro do Sul

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Nesta quarta-feira, 18 de maio, foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Essa data foi instituída no ano 2000 através do projeto de lei 9970/00. A escolha se deve ao assassinato de Araceli, uma menina de oito anos que foi drogada, estuprada e morta por jovens de classe média alta, no dia 18 de maio de 1973, em Vitória (ES). O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje permanece impune.

Em alusão ao dia, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), realizou um evento no Teatro dos Náuas em referência ao dia 18 de maio.

Delcimar Leite, secretaria da assistência social do município, explicou que já vem sendo feito um trabalho tanto com as crianças vítimas de abuso, quanto com suas famílias. “Esse trabalho tem surtido muito efeito. E o 18 de maio não é só hoje, são todos os dias. Diariamente nós aconselhamos e buscamos conscientizar os pais a estarem cuidando dos seus filhos. Damos apoio no que estiver ao nosso alcance: psicólogo e encaminhamos para a saúde quando necessário”, disse.

Madson Cameli, coordenador do CREAS, explicou a importância do Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. “O CREAS trabalha diretamente com o enfrentamento do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. A cada 48 horas uma criança é abusada em Cruzeiro do Sul, são números expressivos e nós precisamos fazer eventos como esse para combater essa situação”, explicou. O coordenador explicou também, que será apresentado um programa para que seja trabalhado durante todo o ano de 2022.

A secretária de Estado de Assistência Social dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres (SEASDHM), Ana Paula Lima, também esteve no evento e, de acordo com ela, o fórum municipal é importante para que, juntos, governo, município, justiça e sociedade possam debater a respeito das políticas públicas voltada para a criança e o adolescente. “Nós precisamos fortalecer essa rede e o fortalecimento também parte da informação, para que as famílias e a sociedade denunciem qualquer forma de abuso sexual e exploração contra nossas crianças. É um momento que precisamos refletir”, disse.

Também esteve presente o vice-prefeito de Cruzeiro do Sul, Henrique Afonso, ele explicou que a Prefeitura Municipal se articulou para criar uma rede de proteção de assistência para as crianças, já que além de um problema de polícia, é também um problema social. “Toda Criança e Adolescente deve ser feliz por toda a vida, esse projeto vai abranger a participação das igrejas, escolas, associações de moradores e todas as instituições. Vamos juntas as nossas forças para que possamos garantir a proteção as nossas crianças”, explicou.

O delegado responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Proteção a Criança e ao Adolescente (DEAMCAP), Rômulo Carvalho, destacou que o evento do 18 de maio é importante para informar as pessoas como devem proceder ao perceber o abuso infanto-juvenil. “Buscamos trazer explanações para a sociedade de como denunciar e como se perceber esse tipo de crime. Acredito que também vamos sair desse fórum com diretrizes que deverão ser trabalhadas durante o ano para coibir esse tipo de delito”, destacou.

Ainda de acordo com o delegado, Cruzeiro do Sul possui muitas regiões isoladas, por isso existem as chamadas ‘cifras negras’, aqueles casos que acontecem e a polícia não fica sabendo. “Cruzeiro do Sul possui mais de 500km de ramal, uma área muito extensa. A Polícia Civil tenta dá suporte em todos os locais em que é acionada. Você que é da zona rural e tem dificuldade de prestar alguma denúncia em relação a esse tipo de crime, procure mandar a denúncia por qualquer órgão que vá a sua região ou faça um disque 100”, explicou.

A respeito de crianças que sofrem esse tipo de abuso, o delegado destacou que elas sempre dão alguns sinais que seriam: reclusão, mudanças de humor, não querer ir ao local que o violentador está. “Temos que perceber quando a criança está se sentindo incomodada. É preciso conversar, ter todo o cuidado para que a criança revele o que a incomoda. Se for um abuso é preciso trazer a informação a Polícia Civil para que as providências sejam tomadas”, disse.

O juiz Marlon Machado da Vara da Infância e Juventude do município também foi uma das autoridades presentes no fórum. De acordo com ele, no Vale do Juruá há um número muito alto de violência sexual contra crianças e adolescentes. “A justiça é sempre atuante. A maioria das denúncias vêm da escola e com a pandemia nós tivemos um problema, porque as escolas estavam fechadas e as notificações não chegavam até a justiça. Eu peço a toda a sociedade que denuncie, podia ser seu filho, nós não podemos nos calar”, pediu.

Aqueles que desejam denunciar qualquer tipo de violência, podem ligar anonimamente para o Disque 100.

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