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COTIDIANO

Francisco Piyãko palestra sobre a Amazônia no Brazil Forum UK, na Inglaterra

Por Leandro Altheman 27/06/2022 21:16 Atualizado em 28/06/2022 08:57
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O líder indígena ashaninka, Francisco Piyãko participou neste domingo,26, de uma palestra na Universidade de Oxford em um painel sobre economia da Amazônia durante o evento Brazil Forum UK. Durante o evento, Francisco se encontrou ainda com o ministro do STF Luís Roberto Barroso, com quem falou sobre os riscos que as comunidades da Amazônia vêm sofrendo.

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Francisco Piyãko vem apontando a importância da organização social para a garantia de qualidade de vida. Sua base é a própria experiência de sucesso em gestão junto ao povo Ashaninka, que após muitas lutas e trabalho, são capazes de uma gestão total do território, mantendo aspectos da vida tradicional e cultural em diálogo com o mundo moderno.

No início de sua fala, Piyãko lembrou as mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips e do assassinato de indígenas do povo Guarani, durante uma ação ilegal de despejo em Amabaí-MS.

Para Francisco, a criação de uma economia próspera na Amazônia passa por uma relação de respeito e diálogo com os povos indígenas e ribeirinhos que vivem na Amazônia e tiram dela seu sustento. Ele afirma que é necessário compreender os conceitos dos povos tradicionais de produção, coletividade e de qualidade de vida.

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“Talvez nossos valores não estejam sendo entendidos, como nós também, às vezes, não entendemos os valores do homem branco. Não entendo por exemplo o valor do ouro. E com isso estão destruindo os rios, a floresta. Talvez quando vocês começarem a entender vão perceber que nossos valores estão mais aperfeiçoados para viver nesse mundo”, disse Francisco.

Para o líder indígena, talvez seja necessário fazer um caminho inverso: ao invés de concentrar cada vez mais a população em bolsões de pobreza nas grandes cidades, dar condições para o habitante da floresta continuar vivendo ao seu modo, mas rompendo o isolamento com o acesso às tecnologias.

“Muitas vezes a gente é compreendido como atraso, por não estar contribuindo na receita do estado como produtores. Esses conceitos têm um impacto em afirmar que a vida na cidade está mais avançada. Com isso estamos deixando nossos modos, que entendemos ser mais apropriados diante dos desafios atuais, para ir para a periferia das grandes cidades. E essas cidades buscam apagar quem somos, nossos modos de vida que oferecem segurança e qualidade de vida. Talvez o grande desafio seja fazer um caminho inverso”, explicou.

Uma das ênfases dadas por Francisco durante a palestra foi justamente sobre o papel da Ciência e da Universidade na compreensão mútua de diferentes pontos de vista, e na construção de um novo amanhã, de prosperidade compartilhada.

“A universidade tem um papel importante para ajudar nesse diálogo entre a ciência e os conhecimentos tradicionais. A ciência não pode ser apenas um instrumento na mão dos poderosos, o que acaba trazendo mais pobreza para a sociedade. Nessa pandemia vimos a ciência se unir para tentar solucionar um problema grave, por isso conto muito com a ciência para dialogar com a nossa sabedoria para tentar salvar esse planeta”, concluiu.

Mudanças na Política

Uma tônica do painel foi sobre os problemas gerados pela gestão do atual presidente Jair Bolsonaro. Uma percepção geral é de que a fragilização dos órgãos ambientais, somadas às falas muitas vezes preconceituosas e agressivas do atual presidente, sinaliza como uma carta branca para a invasão de territórios indígenas por grupos que atuam à margem da lei através de garimpo e extração ilegal de madeira, caçadores e pescadores entre outros.

“O que aconteceu com Dom e Bruno não é um caso isolado. Tem acontecido em muitos territórios indígenas no Brasil. Indígenas representam apenas 5% da população mundial e protegemos 80% da biodiversidade do mundo”, disse Txai Suruí, liderança indígena de Rondônia.

Por fim, Txai Suruí reafirmou a necessidade de uma mudança no Congresso Brasileiro. “Não basta trocar esse presidente, temos que mudar o Congresso. Muito do que está acontecendo é culpa do Congresso, por isso temos que colocar pessoas diferentes lá, isso significa votar em pessoas indígenas, mulheres, LGBT, do movimento negro. Só assim a gente vai mudar realmente nosso Brasil e trazer soluções diferentes”, concluiu.

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