Aos prantos, Prefeita de Tarauacá súplica apoio da AMAC e afirma está sendo perseguida
A Associação dos Municípios do Acre realizou na manhã nesta quinta-feira, 28, uma Assembleia em Rodrigues Alves, que faz parte da programação oficial de aniversário de 30 anos do município, mas o que chamou a atenção de todos no local foi o discurso da prefeita do município de Tarauacá, Maria Lucinéia.
Com uma Bíblia na mão, a prefeita suplicou intervenção da AMAC e disse está sendo vítima de perseguição por parte do Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC). “Estou ocupando o cargo de prefeita mas sou do funcionária do TJ há 16 anos, eu que mais prezo pela justiça hoje presencio uma grande injustiça praticada pelo MP no meu município. Tudo por vaidade, apenas por vaidade”, disse a prefeita.
Maria Lucinéia também alertou aos colegas prefeitos para que juntos tomassem uma providência, pois segundo a prefeita ações como essas também poderiam influenciar em outros municípios. “Peço ajuda aos meus colegas porque o que está acontecendo em Tarauacá também pode acontecer em qualquer outro município, ou já está acontecendo”, afirmou.
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A prefeita finalizou dizendo que tentou por várias vezes o diálogo mas que não teve resposta imediata do Ministério Público, e que apenas depois de retificar o ofício foi recebida pelo promotor. “Fui muito humilhada lá, ele gritava comigo. Eu chorei várias vezes, por ser mulher e ver o preconceito nas petições aonde ele queria que eu demitisse as minhas procuradoras pelo fato de elas serem mulheres, isso é triste”, finalizou a prefeita.
As palavras da prefeita ocorreram após o Ministério Público abrir um procedimento para apurar suposta prática de nepotismo por parte da prefeita de Tarauacá, Maria Lucinéia. A informação é que ela teria nomeado, além da própria irmã, sete parentes de vereadores da cidade em cargos de comissão ou com função gratificada no poder executivo municipal.
Conforme portaria do MP-AC, assinada pelo promotor da cidade, Júlio César de Medeiros, os vereadores que têm parentes nomeados na prefeitura de Tarauacá são da base de apoio político da prefeita.
“Somente os vereadores declaradamente da oposição não têm parentes nomeados pelo chefe do executivo, o que denota a ‘moeda de troca’ de apoio político por nomeações para cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários no poder executivo”, pontuou o promotor no documento.
Para o promotor, a medida “fragiliza” a independência do poder legislativo municipal em relação à prefeitura. Ainda na portaria, o MP destaca que os vereadores com parentes nomeados, inclusive, compõem a mesa diretora da Câmara Municipal da cidade. Entre eles, o próprio presidente do parlamento mirim, Francisco Feitoza Batista e o vice-presidente.