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Acre

Estudo revela que insegurança alimentar aumentou em 76% risco de crianças terem Covi-19 em Cruzeiro do Sul

Por Redação O Juruá em Tempo. 20/07/2022 12:40 Atualizado em 22/07/2022 15:20
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A revista PLOS Neglected Tropical Diseases divulgou dados na última segunda-feira (18), através de uma pesquisa realizada por brasileiros, onde informa que a insegurança alimentar contribuiu, em muito, para crianças apresentarem sintomas da Covid-19.

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Com apoio da Fapesp, o Estudo MINA – Materno Infantil no Acre: coorte de nascimentos da Amazônia ocidental brasileira”, realizou desde 2015 o estudo em Cruzeiro do Sul (AC).

Quase 30% da população brasileira vive insegurança alimentar moderada ou grave, revela relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). São 61,3 milhões de pessoas que não têm garantia de alimentação – dentre elas, 15,4 milhões convivem com insegurança alimentar grave. Os dados são do período de 2019 a 2021.

Marly Augusto Cardoso, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e coordenadora do estudo, contou que as crianças que passaram fome no mês anterior às entrevistas, apresentaram chance de ter covid-19 76% maior quando comparadas com crianças que não tinham sido expostas à insegurança alimentar. “Entre as crianças com evidências sorológicas de infecção anterior por Sars-CoV-2, aquelas cujos domicílios passaram fome no mês anterior às entrevistas apresentaram chance de ter covid-19 76% maior quando comparadas com crianças que não tinham sido expostas à insegurança alimentar”.

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“Normalmente, os adultos priorizam a alimentação das crianças, podendo passar fome para poder alimentar os filhos. Se a criança da casa passou fome é sinal de uma situação muito difícil para a família toda”, explica a pesquisadora.

Mais da metade dos domicílios dos participantes (54%) foi caracterizada em estado de insegurança alimentar. Entre esses, 9,3% reportaram sintomas de covid-19 em comparação a 4,9% de crianças cujas famílias não relataram insegurança alimentar, o que mostra uma vulnerabilidade 76% maior desse grupo à manifestação clínica da infecção por Sars-CoV-2. No total, 297 crianças (45%) tiveram anticorpos para Sars-CoV-2 detectados. Dessas, apenas 11 (3,7%) haviam realizado testes para confirmação da covid-19 antes do estudo e 48 (16,2%) tiveram sintomas como tosse, dificuldades respiratórias e perda de olfato e paladar. Entre as mais pobres, a presença de sintomas foi maior.

O artigo SARS-CoV-2 seropositivity and COVID-19 among 5 years-old Amazonian children and their association with poverty and food insecurity pode ser lido em: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0010580.

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