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sexta-feira, agosto 19, 2022

Carlos Alberto Nóbrega chora ao se despedir de Jô Soares

Por redação.

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Em tom muito emocionado, Carlos Alberto Nóbrega, de 86 anos, prestou uma homenagem a Jô Soares, amigo de longa data, e chorou ao lamentar a morte do apresentador e humorista, que morreu nesta sexta-feira (5) aos 84 anos em São Paulo.

“Vocês talvez possam não entender de eu não ter dado nenhuma declaração. Talvez não possam compreender que, em vez de uma roupa bonita, eu estou com o meu pijama. Mas quero que vocês entendam uma coisa: eu fiz uma troca, eu troquei as dezenas de pedido de entrevista pelo silêncio”, começou ele, com a voz embargada, em um vídeo publicado no Instagram.

Em seguida, o apresentador chorou e disse que precisava desse tempo para se despedir do seu amigo. “Eu queria que o meu choro fosse só meu, porque a vida não é só sucesso, não é só dinheiro, é o que a gente planta, são as amizades que a gente tem”, disse. “Eu chorei a morte do maior gênio que surgiu na televisão brasileira. Não conheci ninguém mais culto do que o Jô”, continuou.

“Eu chorei o amigo, eu chorei o que me lembrei de quando cada um comprou um carro, o dele pegou fogo e o meu veio quebrado. Nós tínhamos 20 e poucos anos e falei: ‘Jô, vou devolver esse carro e, se ele não aceitar, eu vou dar uma surra nesse cara’ e sabe o que o Jô falou? Como não sei brigar, ele disse: ‘Eu vou sentar em cima dele’. Ele tinha 150 quilos naquela época”, lembrou.

O apresentador também contou sobre outra história dos dois na época da ditadura militar. À época, eles escondiam os livros para que os agentes não levassem as publicações da casa de Jô.

“Eu chorei pela ditadura que não permitia que se lessem determinados livros que eles queimavam. E várias vezes eu estava na casa do Jô e telefonavam dizendo: ‘Olha, os homens estão procurando livros’. Eu tinha um carro com porta-malas grande, e a gente corria, botava os livros e levava meu carro para o estacionamento. Dias depois, trazia os livros de volta. Chorei coisas que a televisão nunca viu. A simplicidade, o respeito que o gênio tinha por um redator que estava começando. Nós nunca disputamos uma liderança”, explicou.

Entretanto, ele contou sobre o período que ficaram separados, mas ele acabou levando o amigo para trabalhar com ele no SBT. “Só que a vida nos separou. Na Globo, quando não tinha mais o meu lugar que eu achava que deveria ter nos Trapalhões, eu pedi para trabalhar com ele. Mas eles não deixaram. Eu saí vim para o Silvio Santos”, disse.

“Uma das primeiras coisas que eu fiz quando assumi a direção artística foi trazer o Jô para trabalhar comigo. Eu fui no apartamento dele na Lagoa e eu disse: ‘Você teria coragem de ir trabalhar no SBT?’. Ele falou: ‘O dinheiro do Silvio é igual o do Roberto Marinho. Se ele me der uma chance de fazer uma entrevista’. Eu consegui, nunca explorei isso. Nunca falei isso para ninguém”, finalizou.

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