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Acidente aéreo completa 20 anos no Acre: “Eu lembro de tudo”, conta sobrevivente cruzeirense

Por Redação O Juruá em Tempo. 02/09/2022 10:21
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O dia 30 de agosto de 2002 ficou marcado na história do Acre por uma das maiores tragédias do estado. 23 pessoas morreram com a queda do avião da Rico Linhas Aéreas. O acidente aconteceu quando a aeronave já estava em procedimento de pouso a uma distância de pelo menos 1.500 metros da pista do aeroporto Plácido de Castro.

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Era uma noite chuvosa e o avião teria sido atingido por um temporal que acabou matando 23 passageiros dos 31 que estavam a bordo. As vítimas foram 3 tripulantes e 20 dos 28 passageiros.

O voo 483 saiu de Cruzeiro do Sul, fez uma conexão em Tarauacá e tinha como destino final Rio Branco. O avião era Embraer EMB-120ER Brasília, de prefixo PT-WRQ, utilizado em voos comerciais pela primeira vez em 1987. A aeronave era equipada com ois motores Pratt & Whitney PW118 Canada e tinha número de série 120 043. Havia passado antes em empresas como a Midway Connection (registro N-318MC) e a Rio Sul (registro PT-SLF). Com o acidente, sofreu danos irreparáveis.

O EMB 120 Brasília se aproximava da capital acreana e os controladores terrestres permitiram o pouso. A aeronave acabou entrando em uma tempestade e o impacto levou a cauda ao solo. A fuselagem quebrou em três seções e um incêndio começou danificando o avião.

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Um dos passageiros era o empresário cruzeirense Manu Cameli, mesmo após 20 anos do acidente ele disse lembrar de tudo. “Eu lembro a hora que eu saí de casa, a hora que embarquei, do pouso em Tarauacá, lembro quem sentou ao meu lado. Eu ajudei a aeromoça a guardar as bandejas de comida e chovia muito”, relembrou.

Ele conta detalhes de quando saiu da aeronave após a queda. “Na hora que eu fui sair o vento era muito forte, eu achava que ia pegar fogo. Estava morrendo de medo de morrer queimado e fiz um esforço muito grande para sair da aeronave. Fiquei esperando dá um relâmpago para clarear e eu conseguir pular dos destroços. O que me salvou foi Deus, na hora lembrei do trabalho que eu fazia com as crianças carentes de Cruzeiro do Sul, não lembrava nem da minha família. Eu vi a luz de uma casa e fui correndo pedir ajuda”, contou.

Após um momento traumático como a queda de um avião, é normal que os sobreviventes desenvolvam traumas, resultando em uma fobia de voar. Manu explicou que desenvolveu esse trauma, ele diz que, até hoje, acredita que o acidente tenha sido uma falha humana e, por isso, durante muitos anos ele só viajava de avião se pudesse ficar na cabine junto do piloto.

“Eu tinha uma licença e conseguia, mas depois eu melhorei. Já viajei quase o mundo todo, mais de 12hrs em aviões. É claro que não sai do meu pensamento, fico lembrando a toda hora e com medo de que de repente aconteça um acidente, mas se a minha família vai eu também vou com eles”, disse.

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