Início / Versão completa
Brasil

Correção da tabela do Simples e do MEI pode retirar R$ 66 bi em receitas

Por Notícias ao Minuto. 05/11/2022 07:54
Publicidade

Enquanto o governo eleito negocia com o Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da transição para pode ter mais despesas em 2023 fora do teto de gastos, a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva pode perder R$ 66 bilhões em arrecadação no próximo ano com a correção dos limites do Simples Nacional e do Microempreendedor Individual (MEI), que está para ser votada na Câmara.

Publicidade

O relatório do projeto que atualiza esses valores será lido na próxima terça-feira, 8, e a expectativa da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) é de que a proposta seja votada no plenário da Câmara já na semana seguinte.

Os atuais valores dos regimes simplificados de tributação não são corrigidos pela inflação desde 2006. De acordo com a proposta, que considera o IPCA acumulado desde então, o limite de faturamento anual para se enquadrar como MEI saltará de R$ 81 mil para R$ 144.913. Já o valor para se enquadrar no Simples como microempresa passa de R$ 360 mil para R$ 864.480. E para as empresas de pequeno porte, o limite sobe de R$ 4,8 milhões para R$ 8,694 milhões.

Segundo a Receita Federal, de janeiro a setembro deste ano, a arrecadação do Simples somou R$ 114,391 bilhões, um volume bem superior aos R$ 87,682 bilhões recolhidos no mesmo período do ano passado. Cálculos do próprio Fisco apontam para uma perda de R$ 66 bilhões com a correção da tabela.

Publicidade

Para o presidente da FPE, deputado Marco Bertaiolli (PSD-SP), porém, essa estimativa da Receita Federal não se sustenta na prática, já que os donos de micro e pequenas empresas simplesmente abrem outras firmas antes do limite do Simples ser atingido.

“Temos no Brasil uma fábrica de microempresas. Quando a firma vai estourar o limite e sair do Simples, o dono monta uma segunda operação. Há famílias com três ou quatro microempresas, o que na prática é uma perda de eficiência que encarece o custo operacional da economia. A Receita Federal não consegue enxergar isso, de que esse valor já não é recolhido na prática”, avalia o parlamentar.

A mudança no MEI – que também permite a contratação de um segundo colaborador – já foi aprovada pelo Senado, mas as alterações para micro e pequenas empresas foram acrescentadas pela Câmara e também precisarão ser votadas pelos senadores. Segundo Bertaiolli, há a expectativa de votação no Senado ainda neste ano, a tempo da adesão anual ao Simples, que é realizada sempre nos meses de janeiro.

“Já na próxima terça-feira, vamos protocolizar o pedido de urgência para a votação no plenário da Câmara, a tempo do projeto também voltar ao plenário do Senado este ano. Hoje, são 13 milhões de MEIs no País; se 1 milhão contratar mais um colaborador, são 1 milhão de novos empregos”, acrescenta o deputado.

Bertaiolli lembra que a defesa do MEI entrou no último debate eleitoral entre o atual presidente Jair Bolsonaro e Lula nas vésperas do segundo turno. “Será a grande oportunidade dos dois governos – o atual e o próximo – demonstrarem na prática que aquilo que falaram no debate é verdadeiro. Não haverá nenhuma oportunidade melhor que essa para fortalecer o MEI”, completou.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.