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COTIDIANO

Pacientes acreanos em tratamento de câncer perdem exames e consultas devido à bloqueio da BR-364

Por redação. 22/11/2022 14:13
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A acreana Jacira Vicente da Silva Hirt, de 58 anos, é natural de Rio Branco e há cerca de 11 meses se desloca à Porto Velho, capital de Rondônia, mensalmente para cumprir o tratamento contra um câncer que afeta sua coluna vertebral. No entanto, perdeu os exames e a consulta que tinha no Hospital do Amor esta semana por causa do bloqueio em vários pontos da BR-364, ocasionado pela insatisfação de militantes bolsonaristas com o resultado da eleição presidencial, onde Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso sobre Jair Bolsonaro.

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Jacira vai à capitão do estado vizinho de ônibus, mas precisou suspender o tratamento pelo fato de os veículos estarem sendo barrados pelos manifestantes. Assim como ela, vários outros pacientes oncológicos do Acre se encontram na mesma situação, como revelou o funcionário de uma empresa de ônibus da rodoviária internacional de Rio Branco.

“Todos os meses preciso me deslocar utilizando ônibus. Nossos exames de cintilografia, tomografia, sangue, ressonância e quimioterapia são agendados com antecedência pelos agentes do próprio hospital. Eu já pedi exame de cintilografia, tomografia (que era pra hoje, terça-feira) e vou perder a consulta agendada com oncologista também essa semana”, lamenta Jacira.

Segundo a acreana, o médico é quem prescreve a medicação desses pacientes, que não deveria ser interrompida, sob pena de a doença evoluir. “Muita gente está na mesma situação. Estamos sofrendo e nossa família está sofrendo com isso. No meu caso, o câncer afetou a coluna vertebral”.

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Debilitada, ela conta que não pode sair de Rio Branco e ficar presa por dias dentro de um ônibus, mal acomodada, sem comida, sem água e outras necessidades. “Os manifestantes que bloqueiam a estrada deveriam ter consciência e pensar nisso. E se fosse alguém da família deles que estivesse na nossa situação? Como seria? Estão tirando nosso direito de ir e vir. Estão tirando nosso direito de viver”, diz a paciente.

À reportagem, o funcionário de uma das empresas de ônibus que fazem a linha interestadual afirmou que a manifestação acaba afetando pessoas que precisam ir a Porto Velho e Goiânia (GO), onde fazem tratamento de câncer. Ele revelou ainda que está há 4 dias sem sair ônibus de Rio Branco para Porto Velho. “O ônibus vai e volta da barreira”, finalizou.

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