Início / Versão completa
Brasil

‘Acolheram no coração’: menina com ossos de vidro conclui alfabetização

Por UOL. 22/12/2022 08:37
Publicidade

Aos seis anos, Helena Gabrielle de Souza Passos, mais conhecida como Lelê, recebeu o diploma de conclusão do Ensino Infantil em uma escola municipal de Boa Vista na quarta-feira (14). A formatura foi um momento especial, já que a criança nasceu com uma condição rara chamada “osteogênese imperfeita”, o que tornou sua adaptação na escola um grande desafio.

Publicidade

Por isso, a mãe da garotinha diz que a conclusão desta etapa educacional representa muito mais do que o fechamento de um ciclo. “Foi o ápice de seis anos de muita luta. Helena era apenas uma possibilidade quando nasceu e se tornou uma bela certeza”, contou Kelly Renata de Souza Passos, 39, em entrevista ao UOL. Ela é estudante de curso técnico em enfermagem e acompanha a filha no dia a dia de estudos e tratamentos.

Enquanto estudava o alfabeto, Lelê também aprendia a se resguardar e conviver com o risco de uma fratura. “[A osteogênese imperfeita] causa atrasos. Ela não conseguia segurar um lápis por muito tempo no início. Ela sempre esteve mais suscetível a adoecer”, diz Kelly.

Kelly explica que a deficiência de filha causa o enfraquecimento muscular, o que resulta na fragilidade dos ossos – também chamados “de vidro” – e em fraturas pelo corpo. A condição rara só foi descoberta após o nascimento, quando Lelê teve 20 fraturas.

Publicidade

“Desde a primeira semana de vida, já vivemos essa realidade de tratamento, cientes de que a doença não tem cura, mas tem uma melhora da qualidade de vida.”

Lelê com a mãe, Kelly Renata de Souza Passos, 39, brincando após a cerimônia.

Kelly Renata de Souza Passos – 39 anos, estudante de curso técnico em enfermagem e mãe de Lelê.

Nessa jornada, a inclusão e a sensibilidade da equipe escolar foram essenciais para a conclusão da alfabetização. Ao UOL, Kelly demonstra gratidão aos funcionários da Escola Municipal Professora Danúbia Carvalho de Oliveira. “Mais do que acolher na escola, eles a acolheram no coração”.

Além disso, o acolhimento carinhoso recebido permitiu que Lelê absorvesse o máximo de aprendizado e criasse vínculos com todos. “Ela ama a escola, os coleguinhas e todos a amam muito, desde a tia do portão à gestão da escola”.

A família também se dedica incansavelmente em possibilitar que a criança possa aproveitar sua etapa de aprendizado. “Sempre fomos muito incentivadores, sempre acreditamos no potencial da Lelê desde o início. Então, se ela não conseguia ir para a aula, buscávamos dar o conteúdo em casa, com a supervisão da escola”.

Agora, Kelly deseja que o novo ciclo de Lelê seja repleto de novas conquistas. “Queremos que ela seja feliz, que faça amigos, que se sinta inclusa e que acima de tudo realize todos os sonhos dela”.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.