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COTIDIANO

Em livro, delegada fala sobre projeto que implantou no interior do AC para atender vítimas de abuso sexual

Por redação. 20/12/2022 07:37
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A delegada Mariana Gomes, da Regional Purus, interior do Acre, participou, junto com outras 15 delegadas do país, da elaboração de um livro que fala sobre o trabalho de mulheres na Polícia Judiciária. Atuando em Manoel Urbano, Mariana falou sobre as dificuldades e desafios no combate à violência contra crianças e adolescentes na regional.

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A obra “Mulheres na Polícia Judiciária: Da prática à teoria”, do gabinete às ruas, foi lançada em São Paulo na última sexta-feira (16). Ao g1, a delegada explicou que escreveu o capítulo 11 do livro.

Nele, ela descreveu as barreiras encontradas no combate a esse tipo de crime e também sobre a criação do Projeto ‘Bem-me-Quer’, lançado em janeiro do passado e que disponibiliza uma sala exclusiva para atender mulheres, crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual ou algum tipo de violência.

“Desde que assumi, relatei inúmeros casos de estupro de vulneráveis, inclusive, na primeira semana em Sena Madureira peguei cinco casos com sete vítimas. Comecei a estudar sobre o tema, sobre essa cultura do estupro, foi exatamente esse estudo que foi a base para eu ter inscrito o Projeto Bem-Me-Quer, que é da Polícia Civil”, destacou.

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Mariana acrescentou que a falta de uma estrutura adequada é apenas uma das barreiras que dificultam o atendimento às vítimas de crimes sexuais. Outra dificultada relatada no livro é a falta de comunicação entre os órgãos.

Obra foi inscrita por 16 delegadas do país — Foto: Arquivo pessoal

“Além de um ambiente acolhedor, a gente precisa de capacitação. Conclui que a atuação articulada interdisciplinar também é fundamental no combate à violência sexual de que crianças e adolescentes. São vários pontos que consegui traçar que estavam precários no interior em relação à minha atuação e pude indiciar como dificuldade encontrada”, reforçou.

Ainda segundo a delegada, essas barreiras acabam causando um problema tão grave quanto o abuso: a revitimização. Ela enfatiza também que todos os órgãos de proteção precisam de capacitação para garantir a melhor assistência a essas crianças e adolescentes.

“O que a gente tanto luta enquanto pessoas que defendem o direito das vítimas de violência, evitar o máximo a revitimização porque as consequências são drásticas e irreparáveis. A vítima já sofreu muito com o crime e como vai ser submetida a mais um em um órgão público?”, questiona.

Projeto

O projeto Bem-me-Quer iniciou na delegacia de Sena Madureira, interior do Acre, em janeiro de 2021, idealizado pela delegada Mariana Gomes e passou ser padrão em todos os municípios do interior do estado. Foi isso que determinou uma portaria publicada pelo governo do Acre em maio deste ano.

O trabalho da delegada foi o pontapé inicial para que o estado estabelecesse uma padronização de estrutura para atendimento a vítimas de violência doméstica e familiar, seja mulheres ou crianças, nas delegacias do interior do Acre, com a criação de sala específica.

Desta forma, fica normatizada a padronização do ambiente, recepção, acolhimento e atendimentos às vítimas de violência física, psicológica, moral, patrimonial, sexual que envolvem mulheres, adolescentes e crianças nas delegacias do estado.

A sala deve representar um ambiente acolhedor, de forma que a vítima tenha um atendimento humanizado e garanta o combate eficiente às infrações penais e também evitar a revitimização na apuração dos crimes, além de estimular as denúncias, de forma a diminuir a estatística dos crimes não denunciados e, consequentemente, a impunidade dos crimes praticados com violências às vítimas.

  • Por Aline Nascimento, g1 AC — Rio Branco.
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