Início / Versão completa
Acre

No interior de Acre, mulheres criam time de futebol e fazem apelo: “Não é só pelo jogo, mas por igualdade”

Por redação. 14/03/2023 14:37 Atualizado em 16/03/2023 08:06
Publicidade

No interior do Acre, em uma comunidade às margens da BR-364, entre os municípios de Feijó e Manoel Urbano, um grupo de mulheres resiste e faz sua própria revolução.

Publicidade

É ali, a mais de 300 quilômetros de distância da capital Rio Branco, em um espaço de chão íngreme e muitas vezes coberto por lama, que o time feminino da comunidade Açaizal, intitulado de “Areal”, se reúne para jogar futebol.

Josineia dos Santos, uma das fundadoras do clube, dá voz às mais de 30 mulheres que têm o esporte como única alternativa de lazer e que sonham em se desenvolver como atletas.

“Nós gostamos de jogar bola desde pequenas. Jogávamos em meio aos homens, mas era muito ruim, por isso decidimos nos reunir e montar nosso time feminino. Treinamos e sonhamos em conquistar mais oportunidades no esporte”, conta.

Publicidade
Time feminino Areal joga em campo de terra. Foto: Cedida

Santos destaca que são poucas as oportunidades de diversão nas comunidades rurais e que a equipe precisa, muitas vezes, se deslocar mais de 50 quilômetros enfrentado as mais diversas dificuldades para participar dos torneios. Além disso, o fato de ser um time feminino torna ainda mais difícil conseguir apoio.

“Para participarmos de uma competição temos que nos deslocar para Feijó, que fica a 50 quilômetros de onde vivemos. Para chegar até lá temos que pagar fretes nos chamados “pau de arara”. Não é fácil encontrar patrocínio em uma sociedade onde somos duplamente marginalizadas; por sermos mulheres e por jogar futebol, que ainda é uma modalidade esportiva de predominância masculina”, analisa.

A equipe divide o campinho com os homens da comunidade, e luta por melhorias no espaço para que possam seguir jogando futebol.

“Treinamos em um espaço minúsculo, um lugar íngreme, que de um lado tem uma ribanceira e do outro uma cerca, e no inverno quase não conseguimos treinar por conta da lama. Tudo que queremos é um espaço, com rede e bola, seja quadra ou até mesmo um campo patrolado, para continuarmos alimentando nosso esporte e nosso sonho de jogar futebol. Fala-se muito que os jovens são o futuro, mas nada fazem para garanti-lo”, reivindica.

Mesmo com todas as dificuldades, o time feminino “Areal” está construindo a sua história. A equipe já participou de diversos campeonatos e quer continuar competindo, pois, para essas meninas, jogar futebol vai além de uma paixão, faz parte da luta das mulheres por igualdade.

“Infelizmente não há apoio e muito menos incentivo, mas nós continuaremos a lutar, pois, já não é só futebol é luta por igualdade e reconhecimento”, declarou Jaisiane Santos, que também é integrante do grupo.

Equipe percorre mais de 50 km para participar de torneios. Foto: Cedida
Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.