Início / Versão completa
Brasil

Morre atriz Léa Garcia, aos 90 anos

Por Redação O Juruá em Tempo. 15/08/2023 08:54
Publicidade

A atriz Léa Garcia morreu hoje aos 90 anos, após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Ao lado de nomes como Ruth de Souza e Zezé Motta, foi uma das primeiras atrizes negras da televisão brasileira, e uma das maiores expoentes da cultura afro-brasileira.

Publicidade

Léa ficou famosa no Brasil após interpretar Rosa em “Escrava Isaura” (1976). Antes, no entanto, ela já havia representado o país no cinema internacional: interpretou Serafina em Orfeu Negro (1959), que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e fez Léa ser indicada ao prêmio de Melhor Interpretação Feminina em Cannes.

Além de pioneira, Léa se dedicou a fomentar o cinema negro brasileiro ao longo da vida. Como roteirista, adaptou para as telas textos de autores negros como Cidinha da Silva, Luiz Silva Cuti e Muniz Sodré. Ela também participou de produções feitas por pessoas negras que colocavam temas raciais no centro do enredo, como “As Filhas do Vento” (2005).

A morte foi anunciada por seus familiares no Instagram: “É com pesar que nós familiares informamos o falecimento agora na cidade de Gramado, no Festival de Cinema de Gramado, da nossa amada Léa Garcia”.

Publicidade

Ela seria homenageada hoje no festival de cinema. Léa receberia o Troféu Oscarito, mais tradicional homenagem do Festival de Cinema de Gramado, com Laura Cardoso. A atriz estava em Gramado desde sábado e assistiu a sessões dos filmes “Retratos Fantasmas” e “Tia Virginia”. Caio Blat, um dos curadores do festival, relembrou os últimos momentos da atriz em conversa com Splash:

Estou em choque, ela estava animadíssima na sessão de “Tia Virgínia” [no domingo à noite], comentando todas as cenas. Ao mesmo tempo, é uma despedida de cinema, sendo ovacionada e homenageada. Acho que os gigantes da nossa profissão gostam de partir em movimento. Gostam de viver o cinema até o último instante. Ela é imortal, inesquecível, abriu caminhos, precursora da representatividade que hoje ainda se busca.
Caio Blat

Léa nasceu no Rio de Janeiro em 1933. Se interessou pelas artes cênicas por influência do dramaturgo e ativista social Abdias do Nascimento, que a convenceu a subir ao palco do Teatro Experimental do Negro na peça Rapsódia Negra (1952). Léa e Abdias tiveram dois filhos: Henrique Garcia do Nascimento e Abdias do Nascimento Filho.

Ela fez sua estreia na televisão no Grande Teatro da TV Tupi ainda na década de 50. Foi para a Globo em 1970 na novela Assim na Terra como no Céu, na qual interpretou Dalva, a empregada do personagem de Jardel Filho. Em 1972, participou do primeiro programa gravado inteiramente em cores no Brasil: um episódio de Caso Especial chamado Meu Primeiro Baile.

Em 1976, Léa interpretou sua primeira vilã em “Escrava Isaura”. O papel de Rosa fez Léa ser reconhecida pelo público, mas também lhe rendeu problemas: a atriz chegou a sofrer violência física de telespectadores que odiavam a personagem.

Escrava Isaura é o meu cartão de visitas. Tive muitas dificuldades em fazer cenas de maldade com a Lucélia Santos. Eu me lembro de uma cena em que, quando a Rosa acabou de fazer todas as perversidades com a Isaura, eu tive uma crise se choro, me pegou muito forte. Chorei muito, não com pena, mas porque me tocou.
Léa Garcia no Memória Globo

Desde então, a atriz fez quase 70 filmes e novelas em sua carreira, além de 20 peças. Seu último papel na TV foi Dona Antônia na terceira temporada de Mister Brau, em 2017.

Fonte: Terra

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.