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segunda-feira, julho 15, 2024

Santa ribeirinha Maria da Liberdade é tema de documentário filmado no interior do Acre

Por Redação O Juruá em Tempo.

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Conhecida há mais de um século, a história da menina que morava no Seringal Liberdade, no interior do município de Feijó, e passou a ser considerada santa na região, décadas depois, por milagres relatados por fiéis devotos, ainda é envolta por muitos mistérios. A santa ribeirinha agora será tema de um documentário que está sendo dirigido pelo historiador Marcos Vinícius Neves e Rodrigo Campos.

O longa-metragem está sendo produzido e gravado durante todo o mês de junho. Compondo o elenco, a obra conta com a participação da atriz acreana Gleici Damasceno como protagonista, interpretando Maria da Liberdade. O objetivo do longa é relatar os milagres que teriam sido feitos por ela, que, apesar de não ser reconhecida pela Igreja Católica, como santa canonizada, possui um grande número de devotos na região do rio Envira e na cidade de Feijó.

A trama do documentário consiste na história de três mulheres que nunca se viram, antes até embarcar num batelão para subir o rio Envira. Uma longa e penosa navegação até o antigo Seringal Liberdade, onde existe a capelinha em que a menina, considerada santa pela população local, foi sepultada há mais de um século e, desde então, segundo os relatos ribeirinhos, opera graças, curas e milagres misteriosos aos que a ela rogam com fé verdadeira.

Elenco do documentário de Santa Maria da Liberdade conta com mais de 20 pessoas envolvidas em Feijó — Foto: Arquivo pessoal

O historiador Marcos Vinícius pesquisa sobre a história, desde 2017, e o documentário é o resultado desse longo trabalho. Ele ressalta que será utilizado um pouco do dispositivo da ficção, já que existem muitas versões acerca da morte dela.

“Eu já tinha reunido mais de vinte diferentes versões. Ficou claro, então, que as diversas versões da morte de Maria da Liberdade também são uma maneira de retratar as violências que sempre foram impostas às Marias dos seringais: abusos, casamentos forçados, acidentes familiares, estupro, assassinato, dramas e tragédias seculares, que perduram até hoje. Apenas mais uma Maria que deveria ter sido esquecida, como tantas e tantas outras, não tivesse ela se tornado uma alma milagrosa, uma santa a valer todas as Marias desde então”, escreve Marcos.

Fiéis enfrentam até cinco dias de viagem pelo Rio Envira para visitar capela de Maria da Liberdade — Foto: Evilásio Cosmiro/Arquivo Pessoal

O projeto para produção do documentário foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura Paulo Gustavo. Estão atuando na produção pelo menos 22 pessoas, e todo o processo de filmagem tem a previsão de ser finalizado até novembro deste ano. No entanto, a pós produção e edição devem ficar apenas para 2025, quando o filme terá a sua estreia.

A equipe navega pelo Rio Envira para ir até a capela. São pelo menos seis dias de viagem de ida e mais cinco de volta

O diretor do documentário contou com exclusividade À GAZETA como está o processo de filmagem, atualmente.

“Nós chegamos na capela de Santa Maria da Liberdade e fizemos filmagens. Até aqui, as filmagens foram um sucesso, está dando tudo certo, tivemos muitas dificuldades no caminho, mas conseguimos chegar no oitavo dia. Estava previsto seis dias de subida, mas chegamos bem, está tudo tranquilo”, conta o historiador.

Foto: Arquivo pessoal

Segundo Marcos, a quantidade de apoiadores é grande, desde comerciantes, prefeitura local, Fundação Elias Mansour (FEM) e fiéis à santa, que participaram ativamente do processo de construção do documentário, contando relatos e milagres. A maioria das pessoas envolvidas, desde direção, atores, produtora e pessoas dispostas a dar depoimentos, é composta por acreanos.

  • Por Wellington Vidal, da Gazeta do Acre.
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